Pesquisa nacional aponta aumento significativo da síndrome neurológica em pacientes com dengue no Brasil

Pesquisa brasileira identificou que pacientes com dengue têm risco 17 vezes maior de desenvolver síndrome de Guillain-Barré nas semanas seguintes à infecção.
Aumento do risco de síndrome de Guillain-Barré em pacientes com dengue no Brasil
Em 2024, o Brasil enfrentou a maior epidemia recente de dengue, com cerca de 6,5 milhões de casos prováveis registrados. A pesquisa brasileira destacou que a síndrome de Guillain-Barré e dengue apresentam uma conexão significativa, pois o risco de desenvolvimento da síndrome neurológica aumenta 17 vezes nas seis semanas após a infecção pelo vírus da dengue. Este dado foi obtido através do estudo de mais de 5.000 hospitalizações por Guillain-Barré entre 2023 e 2024, mostrando um aumento expressivo da ocorrência da síndrome logo após episódios de dengue.
Metodologia e dados do estudo sobre dengue e síndrome de Guillain-Barré
A investigação utilizou uma abordagem chamada “série de casos autocontrolada”, onde cada paciente é comparado consigo mesmo para avaliar o risco de desenvolver Guillain-Barré após dengue. Foram analisadas três bases do Sistema Único de Saúde: hospitalizações, notificações de dengue e registros de óbitos. O estudo revelou que o risco de Guillain-Barré é mais elevado nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas da dengue, chegando a ser 30 vezes maior, retornando ao nível basal após seis semanas.
Aspectos clínicos e tratamento da síndrome de Guillain-Barré associada à dengue
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune rara que afeta os nervos periféricos, causando fraqueza muscular progressiva que pode levar à paralisia. No Brasil, o tratamento precoce é crucial para a recuperação e inclui imunoglobulina intravenosa e plasmaférese, procedimentos disponíveis na rede pública de saúde. O país conta com 136 Centros Especializados em Reabilitação para atender pacientes com essa condição. Identificar sintomas como fraqueza nas pernas e formigamento após dengue é essencial para iniciar o tratamento rapidamente.
Impactos das arboviroses e estratégias de prevenção no combate à dengue
A relação entre arboviroses e complicações neurológicas já foi evidenciada anteriormente, especialmente durante a epidemia de zika vírus. A dengue, pertencente à família Flaviviridae, também está relacionada a essas complicações. A prevenção envolve o controle do mosquito Aedes aegypti por meio da eliminação de criadouros e a vacinação. O Brasil disponibiliza vacina contra dengue desde 2024, inicialmente para adolescentes, com planos de ampliar a faixa etária vacinada. Iniciativas como a liberação de mosquitos infectados com Wolbachia também têm mostrado potencial para reduzir a transmissão.
Desafios e importância da colaboração na luta contra a dengue e suas complicações
O combate à dengue e às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti demanda a atuação conjunta de governos, profissionais de saúde e da população. A vigilância constante, o controle do vetor e a ampliação da cobertura vacinal são essenciais para evitar não só os sintomas clássicos da dengue, mas também complicações graves como a síndrome de Guillain-Barré. A pesquisa brasileira reforça a necessidade de atenção ampliada à saúde pública diante dos desafios impostos pelas arboviroses.
Fonte: metropoles.com





