Lula enfrenta Congresso mais à direita em quarto mandato com desafio de articulação

PL elegeu 121 deputados e 19 senadores, maior bancada em ambas as Casas a partir de fevereiro de 2027

Lula enfrenta Congresso mais à direita em quarto mandato com desafio de articulação
Presidente do Senado, **Davi Alcolumbre** (União-AP), em reunião com Lula e presidente da Câmara, **Hugo Motta** (Republicanos-PB), no Palácio da Alvorada. Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal

Quarto mandato de Lula terá maior oposição petista no Congresso Nacional. PL elegeu 121 deputados e 19 senadores, formando maior bancada em ambas as Casas.

O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcará a maior oposição ao petista no Congresso Nacional em todas as suas gestões. A composição da Câmara dos Deputados e do Senado imporá desafio de articulação política com parlamentares para aprovação de projetos do governo.

O PL elegeu 121 deputados e 19 senadores no primeiro turno e terá a maior bancada nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027. A federação petista elegeu 88 deputados e nove senadores. O governo não conseguiu apoios do centrão para as eleições.

Em pronunciamento após a vitória no domingo (25), Lula disse que foi o povo brasileiro que “escolheu o Congresso” e que será com esse cenário que ele conversará.

Nos últimos quatro anos, o petista aprovou projetos populares como o fim da escala de trabalho 6×1 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Especialistas avaliam que Lula terá dificuldade para avançar propostas de governo nesta nova legislatura.

Dois grandes projetos do governo tramitam no Congresso: a PEC da Segurança Pública e a PEC da Tarifa Zero para transporte público. Além da dificuldade de aprovar textos de autoria do Planalto, Lula também lidará com aprovação de pautas propostas pelo próprio Congresso. A mais desafiadora é a redução da maioridade penal, com PEC tramitando que deve ganhar tração na nova legislatura.

A terceira gestão petista começou com um Congresso também alinhado à direita, mas com formação de frente ampla pelo PT. Partidos como Republicanos, PP, União Brasil e MDB costuraram acordos em 2022 e garantiram espaço na Esplanada dos Ministérios. Os partidos indicaram ministros, mas desembarcaram do governo petista.

A cientista social Débora Messenberg, do Instituto de Ciências Sociais da UnB, entende que, mesmo em cenário adverso, Lula possui capacidade de articulação política consolidada. “Será um governo extremamente difícil com maioria de direita e extrema direita”, afirmou. No Senado de 2023 havia mais pessoas do centrão, facilitando acordos. “Mas o Lula é experiente e capaz de costurar esses”, completou a pesquisadora.

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