Com a escala 5×2 em vigor desde outubro, revendedores estudam reorganizar funcionamento sem expandir quadro de funcionários

Revendedoras de automóveis estudam concentrar atendimento de terça a sábado, com fechamento aos domingos e segundas, para se adequar à escala 5×2 aprovada em outubro.
Concessionárias brasileiras estudam fechar às segundas para manter o atendimento aos sábados com a adoção da escala 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Segundo informações recebidas, revendedores avaliam reorganizar o funcionamento das lojas para preservar os sábados na agenda comercial sem aumentar o quadro de funcionários. A preferência é manter o sábado em operação porque oferece condição favorável à venda: o consumidor dispõe de mais tempo para visitar as lojas, comparar modelos, avaliar veículos usados e fazer teste-drive, muitas vezes acompanhado da família.
Nesse desenho, uma das alternativas seria concentrar o funcionamento do salão de vendas de terça-feira a sábado, com descanso aos domingos e às segundas. A possibilidade, entretanto, não representa uma decisão nacional das redes nem uma obrigação estabelecida pela nova regra trabalhista.
O presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior, disse que cada concessionária deverá se adequar da forma como entender melhor a sua região e a sua realidade sobre a escala 5×2. “A princípio, trata-se de decisão empresarial individual.”
A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro, estabelece dois dias de repouso semanal remunerado e redução gradual da jornada, sem diminuição salarial. A primeira etapa começa em dezembro de 2026, com limite de 42 horas semanais. Após mais 12 meses, o teto passa a 40 horas.
A mudança não determina que concessionárias fechem às segundas ou aos sábados. Ela altera a jornada dos trabalhadores. O estabelecimento poderá manter mais dias de funcionamento com equipes em revezamento, desde que respeite os limites de trabalho, os descansos e as regras aplicáveis à categoria. A emenda também prevê possibilidades de compensação por negociação coletiva.
Concessionários que sinalizam essa possibilidade argumentam que as margens de comercialização já estão apertadas e não comportariam uma ampliação automática da folha de pagamento. A intenção relatada é adaptar a operação com o pessoal disponível.



