Federal Reserve mantém juros dos EUA em 3,75% a 4% nesta quarta

Pausa estratégica no ciclo de aperto monetário pressiona câmbio brasileiro e limita espaço para cortes da Selic

Federal Reserve mantém juros dos EUA em 3,75% a 4% nesta quarta
Sede do Federal Reserve, banco central dos EUA. Foto: Élida Oliveira

O Comitê Federal de Mercado Aberto mantém taxa básica inalterada em pausa estratégica. Movimento reflete consenso do Fed para intercalar aumentos e avaliar impacto da restrição financeira.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) mantém a taxa básica de juros dos Estados Unidos inalterada no intervalo de 3,75% a 4,00% nesta quarta-feira (28), em pausa estratégica no atual ciclo de aperto monetário. Segundo análises de bancos e gestoras, o movimento reflete consenso interno no Federal Reserve para intercalar aumentos de juros, garantindo tempo para avaliar o impacto da restrição financeira sem descartar nova elevação em dezembro.

O cenário é desafiador para o comitê: é preciso equilibrar a desaceleração evidente no mercado de trabalho com uma inflação persistente, reavivada pelo choque geopolítico nos preços do petróleo. Conforme a ferramenta FedWatch do CME Group, a maioria do mercado financeiro (90,6%) aposta na estabilidade das taxas norte-americanas, após a alta de 25 pontos-base em setembro.

Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York, afirma que a pausa é um movimento estratégico, dada a proximidade das eleições de meio de mandato, prevista para a próxima terça-feira, o que desestimula “movimentos ousados”.

Essa pausa temporária, contudo, não representa encerramento do ciclo restritivo. De acordo com Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, a economia americana permanece resiliente, mas uma nova elevação de juros poderia aumentar o risco de aperto excessivo, especialmente porque parte da pressão de preços está associada a choques de oferta. O Goldman Sachs aponta que comentários recentes dos participantes do Fomc indicam compromisso de elevar as taxas apenas a cada duas reuniões, justificando pular o encontro de outubro para entregar um segundo aumento em dezembro.

Para o Brasil, juros americanos mais altos por mais tempo estreitam o diferencial em relação à taxa Selic, pressionando o câmbio e ameaçando o espaço para cortes pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em meio ao estresse fiscal pós-eleitoral. O indicador GDPNow, ferramenta do Federal Reserve para estimar o crescimento do PIB dos Estados Unidos, reflete economia ainda vigorosa apesar dos sinais de desaceleração no emprego.

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