Investigação contra Flávio Bolsonaro avança em outubro com bloqueio de contas

Delegado protocola inquérito diretamente no STF sem avisar juiz de primeira instância, segundo aliados do candidato

Investigação contra Flávio Bolsonaro avança em outubro com bloqueio de contas
Flávio Bolsonaro é alvo de investigação que avançou em outubro. Foto: Trump aprova ida de Flávio aos EUA e diz que senador estava na Argentina

Investigação contra Flávio Bolsonaro avançou em outubro com operações e bloqueios de contas ordenados pelo STF

A investigação contra o candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) avançou em outubro com operações e bloqueios de contas ordenados pelo Supremo Tribunal Federal, de acordo com documentos obtidos.

O inquérito nasceu na 11ª Vara Federal de Porto Alegre apurando empresas intermediadoras de pagamento de casas de apostas. A Polícia Federal produziu um Relatório de Informações de Polícia Judiciária baseado em elementos de prova encontrados na nuvem do empresário e advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.

O documento contém operações financeiras de Willer, sua relação com o chefe de gabinete da ministra do Superior Tribunal de Justiça Nancy Andrighi e com um ex-subrocurador-geral da República. Também incluem fotos de Flávio e Willer com suas famílias e reservas de avião referentes a viagens à Europa.

Um e-mail de funcionária de Willer ao Banco Santander pedindo para desvincular Flávio da conta Alcazar Holding foi identificado como elemento suspeito mais forte contra o candidato. O delegado responsável pela investigação protocolou a informação diretamente no STF em 8 de outubro, sem avisar o juiz de primeira instância.

Aliados de Flávio apontam a situação como atípica. Segundo eles, quando surge uma autoridade com prerrogativa de foro em um inquérito de primeiro grau, o caminho normal seria avisar o juiz, que encaminharia o caso ao STF. No caso, foi a PF que alertou o tribunal.

Em 13 de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu esclarecimentos do delegado. Após explicação, Fachin distribuiu o inquérito e Alexandre de Moraes foi sorteado como relator.

Moraes recebeu os autos em 16 de outubro. Em 19 de outubro, determinou operação contra funcionário do STJ suspeito de vazar informações a Willer Tomaz.

Em 23 de outubro, à noite, duas horas antes do debate da Rede Globo, Moraes bloqueou as contas de Willer Tomaz e expediu ofício ao Banco Santander para verificar se Flávio Bolsonaro tinha relação com a conta.

Em 25 de outubro, pela manhã, dia do segundo turno das eleições, o Santander respondeu que o único usuário master da conta Alcazar é Willer Tomaz.

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