Região concentrou 41% dos votos válidos e registrou redução de votos para bolsonarismo, com diferença de 2,8 milhões entre Lula e Flávio

PT teve seu melhor resultado para segundo turno no Sudeste desde 2010, enquanto bolsonarismo perdeu espaço na região
O PT conquistou seu melhor desempenho para um segundo turno no Sudeste desde 2010 no domingo (25). Flávio Bolsonaro (PL) venceu a região, mas a diferença nas urnas foi bem menor do que em disputas passadas.
O Sudeste é o maior colégio eleitoral do país, com 66,3 milhões de eleitores, e concentrou 41% dos votos válidos neste segundo turno. Cada ponto percentual a mais ou a menos na região para algum candidato representa 509 mil votos válidos.
Segundo dados agregados pela Folha de S.Paulo, a diferença entre a votação de Lula e Flávio no Sudeste foi de 2,8 milhões de votos. Lula obteve 1,2 milhão de votos a mais no Sudeste do que recebeu há quatro anos. Flávio teve cerca de 200 mil votos a menos do que seu pai no segundo turno de 2022.
O último resultado favorável ao PT no Sudeste foi há 16 anos, quando Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra (PSDB) por 51,9% dos votos válidos. Desde então, a região não registrou maioria petista, mas tem se aproximado da sigla desde 2022.
Para Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, o fator mais decisivo para a vitória do presidente foi uma onda antibolsonarista na reta final. “O que elegeu o Lula não foi apenas o Nordeste, mas também a perda de espaço do bolsonarismo no Sudeste. Eles perderam na cidade do Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo.”
Melo aponta que o medo de um retorno de Bolsonaro ao poder foi determinante. “O medo de uma volta de Bolsonaro era maior que o medo da manutenção do Lula”, afirma, citando resultado de levantamento da Quaest.
Lula conseguiu uma virada histórica em Minas Gerais, onde venceu por 50,43% contra 49,57%. O comportamento eleitoral do Sudeste difere das demais regiões: no Nordeste, 70% do eleitorado orbita a favor do PT; no Centro-Oeste e no Sul, cerca de 60% caminha a favor do bolsonarismo; o Norte mantém um equilíbrio.



