Operação Dominus cumpriu 9 mandados de prisão e bloqueou R$ 350 milhões. Botijões chegavam a R$ 150 com ameaças de morte.

A Polícia Civil do Rio e o Ministério Público deflagaram a Operação Dominus nesta quarta-feira (28/10) contra grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho que monopolizava a venda de gás de cozinha.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram a Operação Dominus nesta quarta-feira (28/10) contra um grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho que monopolizava a venda de gás de cozinha.
De acordo com a investigação, policiais cumpriram ao menos nove mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão em São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e Rio de Janeiro. A ação bloqueou mais de R$ 350 milhões em bens.
Conforme apurado, os preços dos botijões chegavam a R$ 150 e moradores e comerciantes eram obrigados a adquirir o gás de empresa vinculada ao grupo. Em um dos casos, um comerciante que se recusou a comprar o botijão recebeu ameaça de morte da facção.
Segundo a PCERJ, o grupo controlava a venda e exercia exploração criminosa do gás de cozinha em comunidades dominadas pelo CV. “Nesse sistema, a liberdade de comércio era substituída pelas regras impostas pela organização criminosa. Comerciantes eram obrigados a adquirir produtos de fornecedores vinculados ao grupo ou realizar pagamentos periódicos aos criminosos, sob ameaça de retaliações.”
A investigação revelou que as cobranças eram conhecidas internamente como “metas do gás”, uma tabela para organizar a arrecadação de recursos e verificar quais moradores e comerciantes haviam pago. Em caso de recusa, os criminosos coagiam com ameaças de morte e sequestro.
Uma denúncia feita por um morador da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, fez a polícia aprofundar as investigações no caso. De acordo com o MPRJ, esse controle de venda com preços abusivos foi exercido de 2024 a 2025 em diferentes favelas do estado.
Mensagens analisadas durante as investigações revelaram divisão de tarefas entre os integrantes do grupo, conforme informou o MPRJ. Eles atuavam na articulação comercial com distribuidoras de gás, na intermediação de contatos com traficantes, na cobrança de comerciantes e na arrecadação e repasse de recursos às lideranças do Comando Vermelho.
Elementos reunidos pela PCERJ apontam que Edgard Alves de Andrade, o “Doca”, chefão do CV mais procurado do Rio de Janeiro, estava por trás do esquema criminoso, mantendo conversas com o principal responsável pelo monopólio do gás.



