Perito aponta criação de 436 arquivos no celular após apreensão pela Polícia Federal em novembro

Laudo técnico entregue ao STF nesta quinta-feira sugere que arquivos foram criados e alterados enquanto iPhone estava sob custódia da Polícia Federal
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou ao Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (29) um laudo pericial que questiona a integridade das provas obtidas em seu iPhone. Segundo o perito da defesa, embora o aparelho tenha sido apreendido na noite de 17 de novembro de 2025, centenas de novos arquivos surgiram no dispositivo a partir do dia seguinte.
O laudo aponta a criação de 436 novos itens, incluindo 94 imagens em formato específico da Apple, além da alteração de metadados de outros 657 arquivos. Embora o perito não tenha tido acesso aos dados brutos para confirmar uma intervenção humana direta, os advogados argumentam que essas mudanças não podem ser ignoradas ou classificadas como automáticas sem uma justificativa técnica documentada pela Polícia Federal.
O documento pode beneficiar o ministro Alexandre de Moraes ao invalidar registros de mensagens. Recentemente, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório policial que indicava o envio de 52 mensagens de Vorcaro para Moraes, utilizando técnicas para esconder os rastros, como o uso de imagens de visualização única no WhatsApp. Moraes negou ter recebido tais comunicações e criticou a investigação.
A defesa invoca o princípio do “fruto da árvore envenenada”, conceito jurídico que garante que ninguém seja punido com base em provas ilegais. Se a raiz da investigação estiver contaminada por manipulação, todos os frutos derivados também ficam contaminados e não podem ser utilizados. Os advogados mencionam que o mesmo princípio foi aplicado em casos como a anulação de condenações da Operação Lava Jato.
Se o laudo comprovar que o celular foi manipulado após a apreensão, todas as mensagens encontradas perderiam o valor jurídico, esvaziando as suspeitas levantadas contra o ministro. A defesa tenta anular toda a Operação Compliance Zero com base nesse argumento. O STF deve avaliar se as conclusões do laudo pericial são suficientes para afetar o curso da investigação.


