Jurista que votou em Flávio Bolsonaro critica decisões monocráticas da Corte nas eleições de 2026

O jurista Ives Gandra, que votou em Flávio Bolsonaro, reconhece resultado das urnas, mas afirma que o STF interferiu nas eleições com decisões monocráticas.
O jurista Ives Gandra, que votou em Flávio Bolsonaro (PL) para presidência, defendeu a integridade das urnas eletrônicas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse à CNN Brasil que o Supremo Tribunal Federal (STF) interferiu nas eleições.
Na avaliação do advogado, a Corte tomou decisões monocráticas que cabiam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, com isso, violou a Constituição de 1988. Uma das decisões mencionadas refere-se ao despacho do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h, após relatos de dificuldade no transporte público em capitais como São Paulo e Salvador.
“Houve uma interferência do Supremo Tribunal Federal […] quase sempre de forma monocrática e não colegiada, e, com essa interferência, não se sabe avaliar qual foi o impacto em relação às eleições”, afirmou Gandra à CNN Brasil.
O jurista também criticou Flávio Bolsonaro ao afirmar que o senador errou ao se autodeclarar presidente do Brasil após a derrota nas urnas. “Ele [Flávio] fez um erro em dizer que era o presidente eleito. […] O povo votou no presidente Lula, mas de rigor, depois ele corrigiu, o que fez bem”, completou.
Para Gandra, Flávio “acertou no sentido de sair do Brasil”, porque “vai continuar com a liberdade de poder dizer o que pensa sobre o que está acontecendo”. O ex-candidato fugiu para Miami, nos Estados Unidos, após perder o segundo turno da eleição presidencial contra Lula na última terça-feira (27).
Gandra, opositor histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) e um dos principais nomes que elaboraram o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, também criticou o gasto das contas públicas de Lula. “Resta saber se ele vai ou não encontrar um excepcional ministro da Fazenda que consiga corrigir todos os erros praticados durante [os últimos] quatro anos, ou esfrangalhar as contas públicas brasileiras”, concluiu.


