IFI projeta déficit primário de 0,5% do PIB para 2026

Instituição Fiscal Independente aponta R$ 40 bilhões em gastos extras não previstos no orçamento

IFI projeta déficit primário de 0,5% do PIB para 2026
Foto: Élida Oliveira

IFI calcula R$ 40 bilhões em gastos não orçados com bets, MEI e Bolsa Família para 2026

A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado projetou um déficit primário de 0,5% do PIB para 2026, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal divulgado nesta quinta-feira (29).

A entidade calculou que a perda de arrecadação com as bets, o pacote de medidas aos Microempreendedores Individuais (MEI) e o reajuste do programa Bolsa Família somam R$ 40 bilhões em gastos não previstos no orçamento.

Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, alertaram que o cenário não contempla o impacto de outras propostas anunciadas pelo governo federal, como a extensão do programa Pé de Meia ao ensino superior e o passe livre no transporte coletivo aos fins de semana.

Para 2027, a IFI projeta que a inclusão dos compromissos assumidos e as divergências em relação aos dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual elevam o déficit primário potencial efetivo para 1,0% do PIB.

“Considerando que a IFI estima ser necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida pública/PIB, esse quadro indica a necessidade de um ajuste fiscal equivalente a algo como 3 p.p. do PIB”, avaliaram Pestana e Andrade na apresentação do estudo.

Os diretores da IFI ressaltaram que “se estivéssemos em um cenário de abundância de recursos e folga orçamentária não haveria problema. Ocorre que a Instituição Fiscal Independente projeta um déficit primário equivalente a 0,5% do PIB, em 2026”.

O relatório destaca ainda que o cálculo da meta de resultado primário deixa de fora operações fiscais executadas pela União. A IFI cita que os pagamentos com créditos concedidos com recursos do orçamento saltaram de R$ 71,7 bilhões em 2023 para R$ 220,3 bilhões acumulados até outubro de 2026. Descontados os retornos ao Tesouro Nacional, a saída líquida somou R$ 147,7 bilhões em 2025 e atingiu R$ 180,5 bilhões nos dez primeiros meses de 2026.

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