André Lara Resende propõe reduzir Selic para 7,5% e economizar 4% do PIB

Economista defende novo regime fiscal e monetário focado no serviço da dívida, que consome R$ 1,4 trilhão anualmente

André Lara Resende propõe reduzir Selic para 7,5% e economizar 4% do PIB
Debate sobre política fiscal e monetária aquece discussão sobre gastos públicos. Foto: Roberto de Lira

André Lara Resende propõe reduzir gradualmente a taxa Selic para perto de 7,5% ao ano nos primeiros 12 meses com novo regime fiscal

O economista André Lara Resende, considerado um dos pais do Plano Real, propôs um novo regime fiscal e monetário para o Brasil focado na redução de custos com o serviço da dívida pública. Segundo a proposta apresentada em artigo intitulado “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, o Banco Central deveria reduzir gradualmente a taxa Selic nos primeiros 12 meses para perto de 7,5% ao ano.

De acordo com os cálculos de Lara Resende, para uma dívida correspondente a 80% do PIB, essa redução do custo médio da dívida equivaleria a uma economia fiscal de cerca de 4% do PIB ao ano. O economista defende a definição de metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos.

Lara Resende argumenta que o cerne do problema fiscal brasileiro está no serviço da dívida, não no déficit primário. “Que fique claro: o país gasta mal, aloca recursos de forma irracional, patrimonialista, como no caso das emendas parlamentares e das vantagens pecuniárias do judiciário, e demagógica, como no caso das vinculações de receitas, isenções e subsídios de toda ordem”, afirmou.

Segundo o economista, o custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano em junho de 2026. Sobre uma dívida bruta de R$ 10,9 trilhões, equivalente a 82,5% do PIB, o país gasta R$ 1,4 trilhão anualmente em juros, ou 10,5% do PIB. “Uma dívida expressiva, sim, em torno de 80% do PIB, mas quase que integralmente em moeda nacional e nas mãos de residentes no país”, afirma Lara Resende.

A proposta coloca em evidência o debate sobre gastos públicos no Brasil e contrasta com outras abordagens focadas em ajustes fiscais por redução de despesas. O economista defende um “ajuste gradual” nas contas públicas, argumentando que o país tem apenas um pequeno déficit fiscal primário quando se excluem os juros da dívida.

Coorddenadores de programas do governo têm se posicionado sobre a proposta, com alguns defendendo mudanças na coordenação das políticas fiscal e monetária. A discussão se soma ao debate mais amplo sobre como o Brasil administra suas finanças públicas e controla o crescimento da dívida.

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