Produção caiu pelo sexto mês seguido, com empresas citando eleições e pressões inflacionárias como causas

Índice de Gerentes de Compras avançou de 44,8 em setembro para 46,1 em outubro, mas permanece abaixo da marca neutra de 50,0
A atividade industrial brasileira seguiu em deterioração em outubro, com produção e novos pedidos marcando fortes quedas, ainda que em ritmo menor que o verificado no mês anterior, segundo o Índice de Gerentes de Compras divulgado nesta terça-feira (3).
O PMI da indústria, compilado pela S&P Global, avançou de 44,8 em setembro para 46,1 em outubro, permanecendo distante da marca neutra de 50,0 que separa contração de crescimento.
A produção industrial caiu pelo sexto mês consecutivo. Quase 22% das empresas consultadas apontaram redução, citando vendas menores, falta de investimento e perturbações às vésperas do segundo turno eleitoral.
Os novos negócios recuaram pelo 19º mês seguido. As eleições também foram apontadas como motivo de perturbações, ao lado de pressões inflacionárias, estoques elevados por parte de clientes e guerra no Oriente Médio.
A diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyana de Lima, apontou sinais encorajadores para os meses à frente. “Ainda assim, as perspectivas continuaram desafiadoras. As pressões de custos diminuíram, mas permaneceram altas, enquanto os estoques elevados dos clientes pesaram sobre os pedidos. A forte queda nas novas encomendas indicou que uma recuperação da produção ainda pode levar algum tempo.”
No mês, as empresas relataram reajustes de preços por parte de fornecedores e custos mais altos de energia associados à guerra no Oriente Médio. Os produtores brasileiros elevaram os preços de venda para repassar parte desses aumentos, e a inflação dos preços cobrados manteve o ritmo de setembro, igualando a menor taxa desde fevereiro.
As empresas apresentaram o maior nível de confiança em nove meses, apontando esperança de uma demanda mais forte passada a eleição, conforme a S&P Global.



