Copom mantém Selic em 13,75% em primeira decisão após reeleição de Lula

Mercado financeiro reagiu com queda de 5,3% na Bolsa e alta do dólar após segundo turno eleitoral por incerteza fiscal

Copom mantém Selic em 13,75% em primeira decisão após reeleição de Lula
Presidente do Banco Central em reunião do Copom. Foto: Ângelo Pavini, Élida Oliveira, Leonardo Guimarães, Paulo Barros

Copom decide sobre a Selic nesta quarta-feira em clima de tensão nos mercados após reeleição de Lula ampliar dúvidas sobre controle fiscal

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) sobre a taxa Selic em clima de incerteza sobre a política fiscal após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A semana que se seguiu ao segundo turno eleitoral provocou reversão nas apostas do mercado. O Ibovespa acionou o circuit breaker na segunda-feira (26) e registrou cinco sessões de queda consecutivas, encerrando outubro com o pior desempenho mensal desde junho de 2022. O dólar subiu e os juros futuros dispararam, com títulos prefixados no Tesouro Direto marcando a maior alta diária de taxas da série histórica iniciada em 2005. O Tesouro Nacional cancelou leilões e recomprou papéis para conter a volatilidade.

Antes da eleição, o mercado esperava que o novo governo implementasse maior controle de gastos. Com o resultado das urnas, a expectativa foi frustrada. Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, “o mercado encontra-se em um momento de incerteza quanto às contas públicas e de receio quanto ao futuro da dívida pública brasileira”.

As apostas sobre a decisão do Copom mudaram drasticamente. Nas opções negociadas na B3, a probabilidade de manutenção da Selic chegou a perto de 70% no fechamento de quinta-feira (29), contra cerca de 30% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual. Antes do segundo turno, a discussão concentrava-se em quantos cortes adicionais o Copom ainda faria.

Segundo Guilherme Ghidetti, sócio e CIO da Jera Capital, a reunião ganhou peso por ser a primeira decisão relevante de política econômica após a eleição. “A reunião ganhou peso por ser a primeira decisão relevante de política econômica depois da eleição, num momento de incerteza muito alta sobre a política fiscal”, afirma.

A decisão indicará como o Banco Central avalia o efeito do choque eleitoral sobre a inflação e se a sequência de cinco cortes de juros chegou ao fim ou foi apenas suspensa. Analistas alertam que a recuperação do mercado pode levar meses.

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