PL vai lançar candidatura nesta quarta (4). Estratégia busca apoio além do partido para enfrentar Alcolumbre.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) vai centrar sua candidatura à presidência do Senado na defesa da independência da Casa em relação ao governo e ao STF.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciará sua candidatura à presidência do Senado Federal nesta quarta-feira (4), às 11h. A decisão foi confirmada após reunião de lideranças do PL com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta terça-feira (3).
A estratégia de campanha será centrada na defesa da independência da Casa em relação ao governo e ao Supremo Tribunal Federal (STF), sem fazer do impeachment de ministros da Corte a principal bandeira. O objetivo é dar um caráter institucional à disputa contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP).
Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado, antecipou o discurso que deve orientar a campanha: “É o momento de o Senado retomar o seu protagonismo no Congresso Nacional e se colocar como um poder autônomo, não submisso a outros poderes”.
Aliados de Marinho pretendem explorar supostas menções a Alcolumbre em inquéritos da Polícia Federal relacionados ao Banco Master, ao INSS e à Operação Carbono Oculto para questionar a autonomia do atual presidente diante do Supremo. Portinho fez referência ao tema: “A gente não pode mais ter na Casa um presidente que tem um rabo preso, porque isso atrapalha a independência e mexe com a harmonia, porque cria uma subserviência entre um poder e outro. No caso eu me refiro ao poder judiciário, especialmente ao STF”.
O eixo da candidatura será a defesa das prerrogativas do Senado para evitar o que o grupo de Marinho aponta como uma atuação coordenada entre governo e STF. Com essa abordagem, o senador pretende atrair apoio para além do PL.
Em 2027, o PL terá 29 das 81 cadeiras do Senado e precisará de adesões de outras legendas. A estimativa no entorno do candidato é de cerca de 39 votos, mas há receio de quatro traições. Interlocutores de Marinho afirmam que ele mantém boa relação com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também tem interesse em disputar a presidência da Casa. A aposta é que os dois chegarão a um acordo para unificar a oposição a Alcolumbre.
O atual presidente faz uma ofensiva para se reeleger e já recebeu o apoio formal da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. O anúncio foi feito em nota assinada pelos dirigentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, em 27 de outubro. A orientação enfrenta resistência dentro do PP: o senador eleito Guilherme Derrite (SP) declarou que não votará em Alcolumbre.



