Marinho anuncia candidatura ao Senado centrada na autonomia da Casa

PL vai lançar candidatura nesta quarta (4). Estratégia busca apoio além do partido para enfrentar Alcolumbre.

Marinho anuncia candidatura ao Senado centrada na autonomia da Casa
Senador Rogério Marinho (PL-RN). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – 28.jan.2020 — Foto: Senador Rogério Marinho (PL-RN)  • Valter Campanato/Agência Brasil – 28.jan.2020

O senador Rogério Marinho (PL-RN) vai centrar sua candidatura à presidência do Senado na defesa da independência da Casa em relação ao governo e ao STF.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciará sua candidatura à presidência do Senado Federal nesta quarta-feira (4), às 11h. A decisão foi confirmada após reunião de lideranças do PL com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta terça-feira (3).

A estratégia de campanha será centrada na defesa da independência da Casa em relação ao governo e ao Supremo Tribunal Federal (STF), sem fazer do impeachment de ministros da Corte a principal bandeira. O objetivo é dar um caráter institucional à disputa contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP).

Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado, antecipou o discurso que deve orientar a campanha: “É o momento de o Senado retomar o seu protagonismo no Congresso Nacional e se colocar como um poder autônomo, não submisso a outros poderes”.

Aliados de Marinho pretendem explorar supostas menções a Alcolumbre em inquéritos da Polícia Federal relacionados ao Banco Master, ao INSS e à Operação Carbono Oculto para questionar a autonomia do atual presidente diante do Supremo. Portinho fez referência ao tema: “A gente não pode mais ter na Casa um presidente que tem um rabo preso, porque isso atrapalha a independência e mexe com a harmonia, porque cria uma subserviência entre um poder e outro. No caso eu me refiro ao poder judiciário, especialmente ao STF”.

O eixo da candidatura será a defesa das prerrogativas do Senado para evitar o que o grupo de Marinho aponta como uma atuação coordenada entre governo e STF. Com essa abordagem, o senador pretende atrair apoio para além do PL.

Em 2027, o PL terá 29 das 81 cadeiras do Senado e precisará de adesões de outras legendas. A estimativa no entorno do candidato é de cerca de 39 votos, mas há receio de quatro traições. Interlocutores de Marinho afirmam que ele mantém boa relação com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também tem interesse em disputar a presidência da Casa. A aposta é que os dois chegarão a um acordo para unificar a oposição a Alcolumbre.

O atual presidente faz uma ofensiva para se reeleger e já recebeu o apoio formal da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. O anúncio foi feito em nota assinada pelos dirigentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, em 27 de outubro. A orientação enfrenta resistência dentro do PP: o senador eleito Guilherme Derrite (SP) declarou que não votará em Alcolumbre.

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