Governo federal admite que ligação com crime organizado motivou proibição das bets

Ministro da Justiça revelou ao Supremo que R$ 3,3 bilhões em movimentações suspeitas foram bloqueados desde 2018.

Governo federal admite que ligação com crime organizado motivou proibição das bets
Plataformas de apostas online foram alvo de investigação por lavagem de dinheiro. Foto: Depositphotos.

Wellington César Lima e Silva revelou durante audiência no STF que organizações criminosas usam sites de apostas para lavar dinheiro de tráfico e atividades ilegais.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, revelou que o governo federal identificou uma ligação entre empresas de apostas online e o crime organizado no Brasil. A declaração foi feita durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal, convocada para debater a medida provisória que proibiu o funcionamento das bets no país.

Segundo o ministro, organizações criminosas utilizam as plataformas de apostas para lavar dinheiro obtido ilicitamente. Os grupos ligados ao tráfico de drogas e outras atividades criminosas usam os sites de apostas para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.

O Ministério da Justiça apresentou dados ao Supremo mostrando que já foram bloqueados R$ 3,3 bilhões em movimentações suspeitas relacionadas às bets. Este valor foi alcançado após 21 operações policiais e do Ministério Público realizadas desde 2018, que investigaram esquemas de lavagem de dinheiro através das plataformas de apostas online.

A Medida Provisória nº 1.394/2026, editada em setembro, proibiu a exploração e a publicidade dos jogos online no Brasil. A decisão foi tomada após o governo constatar que o sistema de apostas eletrônicas estava sendo usado pelo crime organizado para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico e de outras atividades criminosas.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável apresentaram recursos ao Supremo Tribunal Federal pedindo a derrubada da medida provisória. O ministro Luiz Fux, relator dos recursos, convocou audiência pública para ouvir diferentes posições sobre o tema antes de tomar uma decisão.

O ministro Wellington César enfatizou que é fundamental a população brasileira compreender a gravidade da situação. A proximidade entre as bets e o crime organizado representa um risco para a segurança pública e para a economia do país, já que facilita a lavagem de bilhões de reais provenientes de atividades ilegais.

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