Pontífice destacou na audiência geral que soluções técnicas sozinhas não resolvem desequilíbrios econômicos

Durante audiência geral, o Papa Leão XIV apontou desequilíbrios econômicos como ameaça à paz mundial e enfatizou dignidade do trabalho humano.
O Papa Leão XIV alertou que desequilíbrios econômicos representam ameaça à paz mundial durante audiência geral de quarta-feira, última antes de sua viagem à América do Sul entre 6 e 17 de novembro.
Segundo o pontífice, a visão clarividente dos padres conciliares sobre esse tema “infelizmente se confirmou no final do século passado e que vemos ainda mais claramente hoje”. O papa continuava sua série de lições sobre a constituição pastoral Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II ao destacar a questão.
“Os padres conciliares destacam, antes de tudo, a ameaça à paz mundial decorrente dos desequilíbrios ligados a um desenvolvimento econômico que não é equitativo nem respeitoso da criação. Esta é uma visão clarividente, que infelizmente se confirmou no final do século passado e que vemos ainda mais claramente hoje.”
O Papa Leão XIV observou que soluções técnicas por si só não são suficientes. Citando o texto conciliar, recordou que “muitas reformas no âmbito socioeconômico e uma mudança de mentalidade e atitude são exigidas de todos”.
O pontífice enfatizou a relevância contínua dos apelos da Igreja para “se comprometer a eliminar a discriminação contra os grupos sociais mais vulneráveis e os migrantes”. Conforme o Papa, a dimensão social é parte integrante não apenas “de nossa fé em Cristo Jesus”, mas também “o precioso legado que recebemos da encarnação do Filho de Deus”.
Um dos temas centrais da catequese foi a dignidade do trabalho humano. O pontífice afirmou que “o coração da economia é o trabalho”, ressaltando que ele “nunca deve ser distorcido em detrimento das pessoas, do bem comum ou da criação”. Segundo o Papa, o trabalho nunca deve se tornar fonte de exploração ou dano às pessoas.
“O desemprego, a exploração e as condições de trabalho que colocam em perigo a saúde e a própria vida são inaceitáveis.”
O Papa Leão XIV defendeu o princípio de que “os trabalhadores têm o direito e o dever de participar das decisões que afetam seu trabalho” e de resolver conflitos por meio do “diálogo e da ação não violenta”.
Em sua catequese, o Santo Padre citou o Concílio Vaticano II ao recordar que um dos princípios fundamentais do ensinamento social da Igreja é o “destino universal dos bens terrenos”. Segundo o Papa, esse princípio também se aplica “à esfera financeira”. Ele afirmou que responsáveis por investimentos e pelo planejamento da economia estão obrigados “a reconhecer sua séria obrigação de zelar, por um lado, para que seja feita provisão para as necessidades exigidas para uma vida decente”.



