Consumo paraguaio deve alcançar 50% da produção da usina binacional em 2030, diminuindo oferta brasileira

Parceria entre EUA e Paraguai para centro de dados de inteligência artificial deve acelerar consumo de energia da usina binacional
Os Estados Unidos anunciaram no final de outubro um acordo para construir um centro de processamento de dados de inteligência artificial no Paraguai utilizando energia de Itaipu, usina hidrelétrica localizada na fronteira em Foz do Iguaçu (PR).
Segundo especialistas do setor elétrico, a principal consequência para o Brasil é a diminuição da fatia energética disponível enquanto o Paraguai avança rumo aos 50% de consumo da produção binacional. O Tratado de Itaipu estabelece que cada parceiro tem direito a metade da energia gerada anualmente.
Dados do Instituto Acende Brasil mostram que 36% da energia produzida por Itaipu em 2025 (25,8 mil GWh) foram destinadas ao Paraguai. Em 2023, o fornecimento para o país vizinho havia sido de 23% (19,5 mil GWh).
O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, explicou que a demanda paraguaia cresceu conforme a economia do país vizinho se expande mais que a brasileira. “A demanda tem crescido nos últimos anos, à medida que a economia do Paraguai cresce muito mais do que a brasileira, e junto com isso a demanda por energia”, afirmou.
A parceria entre a empresa norte-americana Crusoe, especializada em infraestrutura para inteligência artificial, e a Araico, que atua no desenvolvimento de projetos de energia e infraestrutura, deve acelerar o consumo pelo Paraguai. A projeção é que o país chegue ao limite dos 50% da sua fatia em 2030.
Segundo Sales, “Isso significaria uma aceleração do crescimento do Paraguai e, portanto, a diminuição da oferta de energia proveniente de Itaipu para o Brasil”.
Ao ser questionada sobre a parceria entre Estados Unidos e Paraguai, a Itaipu respondeu que a negociação “não interfere na demanda nacional de cada país, razão pelas quais projetos desta natureza não são de competência da usina”.
A hidrelétrica binacional abastece aproximadamente 90% do mercado elétrico do Paraguai e 7% do Brasil.



