Produção industrial cai 0,8% em setembro e marca quinta queda consecutiva

Resultado ficou pior que as projeções do mercado e consolidou a perda de tração do setor industrial brasileiro

Produção industrial cai 0,8% em setembro e marca quinta queda consecutiva
Setor industrial apresenta sinais de deterioração induzida pelos juros elevados. Foto: Élida Oliveira

A produção industrial recuou 0,8% em setembro, pior que as projeções de queda de 0,4%. É a quinta retração mensal consecutiva, com fraco desempenho em 17 das 25 atividades pesquisadas.

A produção industrial brasileira recuou 0,8% em setembro, resultado pior que as projeções do mercado, que previam quedas de 0,4% pelo consenso da Bloomberg, e consolidou a perda de tração do setor no encerramento do terceiro trimestre.

Esta é a quinta retração mensal consecutiva. O fraco desempenho ficou disseminado por 17 das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE. Economistas avaliam que a indústria já dá sinais claros de deterioração induzida pelos juros elevados e pela desaceleração da demanda.

No acumulado do terceiro trimestre, a produção industrial contraiu 2,2% na comparação com o trimestre anterior. É o recuo trimestral mais acentuado desde o segundo trimestre de 2021, eliminando os ganhos acumulados ao longo dos últimos doze meses. O índice ajustado sazonalmente encontra-se 4,1% abaixo do pico registrado em abril, retornando ao patamar observado em maio de 2024.

A análise dos números mostra que o setor industrial teve pior desempenho quando se isola o setor extrativo. A indústria de transformação encolheu 1,3% na margem e 3,8% em relação a setembro do ano anterior. Segmentos como derivados de petróleo (-4,2%), móveis (-3,4%), produtos farmacêuticos (-3,1%), minerais não metálicos (-2,6%), máquinas e equipamentos (-2,1%), açúcar (-28,6%) e etanol (-22,7%) registraram recuos significativos.

Em contrapartida, a indústria extrativa avançou 1,7% no mês, impulsionada pelas altas na extração de petróleo (+1,0%) e minérios (+1,1%).

André Valério, economista sênior do Banco Inter, aponta que a produção industrial teria recuado 1,4% no mês caso fossem excluídas as indústrias extrativas e de derivados de petróleo. No acumulado em 12 meses, em vez da alta marginal de 0,2% informada pelo dado geral, o indicador registraria queda de 0,98%.

“A produção industrial está em clara tendência de desaceleração e já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo que, no ano, apresentam desempenho robusto”, avalia Valério.

O fim de estímulos pontuais e das políticas parafiscais de incentivo à cadeia automotiva, como o programa Move Brasil, somado ao encerramento de períodos de políticas de incentivo, contribui para o cenário de fraco desempenho industrial observado no período.

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