Alta do petróleo pressiona inflação e pode interromper cortes da Selic em junho

Escalada nos preços do petróleo impacta diversas cadeias produtivas e dificulta redução da taxa básica de juros pelo Banco Central

A alta do petróleo eleva preços no atacado e encarece insumos industriais, influenciando a inflação e a decisão sobre a Selic em junho.

Confira a projeção da inflação e impacto no Banco Central

A alta do petróleo está pressionando a inflação desde o produtor até o consumidor final, conforme o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) que registrou 2,41% em abril, a maior alta desde 2021. André Braz, economista e coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, destaca que esse aumento generalizado eleva os custos da indústria e da logística, dificultando a continuidade dos cortes na taxa Selic pelo Banco Central, previsto para a reunião de 16 e 17 de junho.

Como a alta do petróleo afeta as cadeias produtivas do Brasil

A alta do petróleo reverbera em diversas cadeias produtivas nacionais, principalmente porque o combustível e seus derivados são matérias-primas para diversos setores. O preço do barril acima de US$ 100 eleva os custos de resinas plásticas, defensivos agrícolas, fertilizantes, construção civil e até o vestuário, devido ao custo do poliéster. Além disso, o encarecimento do diesel aumenta os custos logísticos e de produção agrícola, pressionando os preços dos alimentos in natura no varejo.

Componentes do IGP-DI indicam aumento generalizado dos preços

Em abril, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou de 1,38% para 3,09%, com destaque para matérias-primas brutas e bens intermediários. Produtos como sacos plásticos tiveram alta de 30,75%, leite in natura subiu 8,84%, e fertilizantes 6,42%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também subiu, puxado pela gasolina, que aumentou 3,84%, e leite longa vida, com alta de 15,68%. Na construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou para 1,00%, liderado pelo aumento nos preços de tubos e conexões de PVC, massa de concreto e cimento.

Previsões para o IPCA e os desafios do cenário econômico

A escalada dos preços do petróleo e a chegada de um El Niño intenso elevam as projeções para o IPCA em 2026, que pode variar entre 4,7% e 5,7%, ultrapassando o teto da meta do Banco Central de 4,5%. A persistência da inflação deve se refletir em variações mensais entre 0,40% e 0,45% nos próximos meses, diferente do ano anterior. O fenômeno climático previsto deve agravar a situação ao comprometer a produção agrícola e a geração de energia, pressionando ainda mais os preços.

Limitações da política monetária diante da inflação de custos

O aumento dos custos provocado pela alta do petróleo e problemas climáticos configura um choque de oferta, o que limita a eficácia da política monetária baseada na taxa Selic. Segundo especialistas, cortes nos juros agiriam principalmente sobre a inflação de demanda e não conseguiriam conter o repasse dos custos elevados ao consumidor final. Por isso, o Banco Central deve manter a Selic em 14,5% ao ano na próxima reunião para preservar a credibilidade e atratividade econômica, evitando medidas que possam gerar efeitos colaterais para a indústria e o desenvolvimento econômico.

Fonte: www.infomoney.com.br

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