A história recente do Brasil traz diversos exemplos de desigualdade e injustiça que atingiram a lei, a vida das pessoas e a dignidade humana.
A Bíblia faz fortes alertas contra aqueles que usam o poder para oprimir o próximo ou “entortar” a lei para beneficiar poucos. O profeta Isaías declara:
“Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem decretos opressores, para privar os pobres de seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!” — Isaías 10:1-2
E, como disse Martin Luther King Jr.:
“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar.”
Quero lembrar dois casos marcantes de injustiça no Brasil na última década. Poderíamos citar muitos outros, mas estes exemplos mostram como a injustiça pode se manifestar de diferentes formas.
1) Trabalho análogo à escravidão — Caso Fazenda Brasil Verde
Mesmo com leis mais modernas, o Brasil ainda registra situações em que pessoas são tratadas como “mão de obra descartável”, tudo em nome do lucro. Em 2016, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil pelo caso da Fazenda Brasil Verde.
O que aconteceu:
Trabalhadores foram encontrados em condições degradantes, presos a dívidas fraudulentas e com liberdade limitada, no estado do Pará. Apesar das denúncias, o Estado falhou na fiscalização e na punição dos responsáveis.
Por que isso importa:
A decisão evidenciou como a pobreza e a falta de fiscalização alimentam a impunidade. O Brasil precisou pagar indenizações e reforçar medidas como a “Lista Suja do Trabalho Escravo”. Ainda assim, o problema persiste: somente em 2023, mais de 3 mil pessoas foram resgatadas de situações semelhantes.
E o que um cristão deve fazer diante disso?
A fé não serve para fechar os olhos à realidade. Pelo contrário: ela nos chama a agir com ética e a defender aqueles que tiveram sua dignidade roubada. Na Bíblia, justiça (mishpat) não significa apenas leis escritas, mas também cuidado real com quem sofre.
Assim como os profetas, o cristão é chamado a levantar a voz contra sistemas que esmagam os mais vulneráveis. Não basta apenas “não praticar o mal”; quando a injustiça se torna coletiva, é necessário denunciar e buscar transformação. Muitas vezes, o silêncio acaba se tornando cumplicidade.
2) Injustiça corporativa — Brumadinho
Aqui vemos o conflito entre lucro, responsabilidade e valorização da vida. Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho, causando a morte de 272 pessoas.
Posteriormente, surgiram informações de que os riscos da barragem já eram conhecidos, mas teriam sido ignorados para que as operações continuassem.
Consequências:
Além das vidas perdidas e dos danos causados ao Rio Paraopeba, muitas famílias ainda convivem com a sensação de impunidade e abandono. Anos depois da tragédia, permanece o sentimento de que a justiça não alcançou plenamente todos os responsáveis.
Que sejamos justos e atuantes no que diz respeito à prática da justiça em nosso país. Que sejamos encontrados diante de Deus como pessoas comprometidas com a verdade e praticantes de ações que ajudem aqueles que sofrem com as injustiças cometidas.





