Juliana Navarro, presidente da BRB Serviços, teria viabilizado parceria investigada por suspeita de descontos irregulares em folhas de pagamento

Investigação apura suspeitas sobre descontos em salários de servidores públicos do DF. Juliana Navarro, aliada do ex-governador, presidiria empresa subsidiária.
Juliana Navarro e a polêmica parceria entre BRB e PicPay sob suspeita
Uma operação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal na sexta-feira (19) colocou sob investigação formal a intermediação que teria resultado na parceria comercial entre o Banco de Brasília e a empresa de tecnologia financeira PicPay. No centro das apurações está Juliana Navarro, advogada que ocupava posição de destaque na administração do ex-governador Ibaneis Rocha e que hoje preside a BRB Serviços, subsidiária do conglomerado bancário.
A trajetória de Juliana Navarro nos órgãos públicos
A carreira de Juliana Navarro no setor público começou ainda durante o período de transição do governo de Ibaneis Rocha, em 2019. Sua aproximação com o então futuro governador vinha da atuação conjunta como advogados fora do serviço estatal. Quando Ibaneis assumiu a administração do Distrito Federal, Navarro foi nomeada para a administração regional do Gama, uma das 33 regiões administrativas da capital federal.
Em 2020, apenas um ano depois, a advogada recebeu transferência interna para atuar como diretora de operações da BRB Serviços. Quatro anos depois, em abril de 2024, ela foi alçada à presidência dessa mesma empresa subsidiária, cargo que mantém até o presente momento, mesmo após a saída de seu aliado político da chefia do governo.
O acordo com PicPay e seus desdobramentos
A parceria entre BRB e PicPay foi formalizada em setembro de 2024, apenas cinco meses após Navarro assumir a posição de presidente na BRB Serviços. Documentação obtida por investigadores indica que esse contrato foi viabilizado através de um acordo paralelo com a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o qual garantiu à PicPay exclusividade para realizar descontos referentes a empréstimos consignados nas folhas de pagamento de servidores públicos, aposentados e pensionistas.
Os mecanismos investigados apontam para suspeitas de cobrança indevida nesses descontos, com possível desvio de recursos que deveriam permanecer sob controle direto do governo. A investigação trabalha com a hipótese de que a estruturação dessa parceria pode ter favorecido indevidamente a PicPay em detrimento de outras instituições financeiras que poderiam oferecer serviços similares.
Investigação e posicionamentos institucionais
Em resposta formal, a PicPay negou qualquer irregularidade nas operações questionadas, afirmando que seus produtos e serviços estão estruturados conforme normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle regulatório. Por sua vez, o Banco de Brasília argumentou que a BRB Serviços não participa do fluxo de lançamento das operações consignadas junto à PicPay e ressaltou que os fatos sob investigação não envolvem a atual administração da instituição.
A reportagem entrou em contato com Juliana Navarro solicitando esclarecimentos sobre sua participação na viabilização do acordo e seu estatuto funcional diante das investigações. Igualmente, foi buscado pronunciamento do ex-governador Ibaneis Rocha, ambos sem retorno até a data de publicação.
O contexto político e administrativo
A permanência de Juliana Navarro na presidência da BRB Serviços após deixar o governo de Ibaneis Rocha revela questões estruturais sobre a continuidade de quadros administrativos em instituições estaduais. Seu vínculo duradouro com a administração anterior, que se estendeu por mais de sete anos, sugere enraizamento em estruturas de poder que transcendem mudanças eleitorais e administrativas.
O timing da parceria com PicPay, ocorrido meses após sua promoção à presidência, e a concessão de exclusividade em um serviço financeiro delicado como consignações em folha de pagamento pública levantam questões sobre processos de licitação, transparência e conformidade com legislação de contratações públicas. A investigação em curso promete esclarecer se houve desvios procedimentais ou beneficiamento indevido de determinada instituição financeira privada.





