Pesquisador da Real Time Big Data afirma que resultado foi atípico e que 24 modelos probabilísticos previam vitória de Flávio Bolsonaro

Bruno Soller, analista da Real Time Big Data, afirmou em entrevista que Lula conquistou quase 10 milhões dos 14 milhões de novos votos registrados no segundo turno das eleições de 2026.
O analista e sócio da Real Time Big Data, Bruno Soller, informou que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou aproximadamente 71% dos 14 milhões de novos votos registrados no segundo turno das eleições de 2026. Soller destacou que Lula recebeu quase 10 milhões desses novos votos.
“O fato é que tivemos 14 milhões de novos votos, desses 14, o presidente Lula pegou quase 10 milhões deles, ou seja, 71% das pessoas que foram votar, dos novos votos que apareceram nas urnas para esses dois candidatos, foram para o presidente Lula. Não era o esperado”, explicou Soller.
O resultado surpreendeu os modelos de previsão utilizados pela empresa: todos os 24 modelos probabilísticos apontavam para vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). “Dos 24 modelos probabilísticos que fizemos, os 24 apontavam para uma vitória do Flávio Bolsonaro. Ou seja, foi algo muito fora da curva na vitória do presidente Lula. Nunca na história do mundo a gente viu um movimento tão grande nesse sentido”, afirmou Soller.
No segundo turno, Lula venceu em 213 municípios nos quais Bolsonaro havia se saído vitorioso no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Essa mudança ocorreu em cidades de 18 estados, incluindo as capitais Rio de Janeiro e Macapá. Minas Gerais concentra o maior número de municípios com inversão de votos, com 76 cidades. Na sequência aparecem São Paulo com 33, Paraná com 20, Rio Grande do Sul com 19, Goiás com 14 e Tocantins com 12.
Soller destacou que a vitória de Lula passa por múltiplos fatores. “Não é possível que 10 milhões de votos venham para alguém sem que essa pessoa tenha, pelo menos, despertado no eleitorado uma vontade de votar nele. Vamos ter que analisar o quanto aquele pacote de benesses, que havia aprovação mas que parecia não virar voto, o quanto aquilo de fato virou voto mesmo. Pode ser efeito disso e a gente não conseguiu captar”, explicou.
O analista apontou que os cenários, desde o início das projeções, indicavam que a maior chance de reeleição de Lula era justamente contra Flávio Bolsonaro, dado que o senador carregava grande rejeição entre o eleitorado. A conjunção entre a rejeição ao bolsonarismo e o pacote de benefícios podem ter sido determinantes para o resultado das eleições de 2026.


