Analista aponta que vantagem legislativa de Flávio não resolve problema fiscal

Segundo especialista, Centrão na base do eventual governo corroeria orçamento com emendas parlamentares

Analista aponta que vantagem legislativa de Flávio não resolve problema fiscal
Flávio Bolsonaro em coletiva de imprensa em Brasília. Foto: Fachin dá 5 dias para PGR avaliar arquivamento de inquérito sobre Bolsonaro

Especialista avalia que, apesar de força parlamentar, eventual governo enfrentaria obstáculos econômicos estruturais impostos pelo Centrão

Um eventual governo de Flávio Bolsonaro enfrentaria desafios que vão muito além de sua base no Legislativo, segundo Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva. Vidal avaliou que, apesar das vantagens parlamentares que um eventual presidente teria, a questão econômica brasileira impõe obstáculos estruturais de maior complexidade.

Vidal reconheceu que Flávio Bolsonaro, se eleito, partiria de uma posição privilegiada no Congresso. “Ele será o presidente mais forte do ponto de vista legislativo. A sua bancada seria bastante expressiva”, afirmou o especialista. Além disso, Vidal destacou que a fragmentação partidária no Congresso Nacional vem caindo e hoje se equipara à registrada no final dos anos 1990, o que considera uma boa notícia do ponto de vista quantitativo.

No entanto, o analista alertou que o cenário qualitativo é preocupante. Segundo Vidal, os partidos que hoje dominam o Congresso são, em grande parte, integrantes do chamado Centrão — um grupo que, em suas palavras, “ataca o orçamento”. O próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro, se enquadraria parcialmente nesse perfil. “Hoje, 25% dos gastos discricionários são emendas parlamentares”, ressaltou Vidal. Para o especialista, isso significa que a base parlamentar do eventual governo não seria necessariamente comprometida com um ideal fiscal de contenção de gastos.

Vidal enfatizou que qualquer presidente, independentemente de seu espectro ideológico, precisa lidar com pressões estruturais que extrapolam o ambiente legislativo. “A pressão de prefeitos, a pressão da indústria, a pressão dos servidores públicos torna o desafio de um eventual governo Flávio maior do que apenas uma questão legislativa”, disse Vidal.

Ao ser questionado se isso se aplicaria mesmo diante das vantagens nas duas casas legislativas, o especialista confirmou a avaliação. “Apesar das vantagens, porque esse mesmo grupo que comporia a sua base também é formado por partidos que, de certa maneira, corroem o orçamento.”

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