Argentina avança com upgrade da S&P e títulos em dólar disparam

Agustin Marcarian

S&P eleva rating soberano da Argentina para B-, destacando melhora fiscal e expectativas de acesso a mercados

S&P eleva rating da Argentina para B-, refletindo avanço fiscal e impulso nos títulos em dólar da dívida externa.

Impacto do upgrade da S&P na Argentina e reação dos mercados

O upgrade da S&P na Argentina em 11 de fevereiro de 2026 gerou uma reação positiva imediata nos mercados financeiros, especialmente nos títulos da dívida externa em dólar. O país viu seus papéis mais longos, com vencimento em 2035, alcançarem máximas históricas, chegando a 79,4 centavos por dólar, enquanto os títulos intermediários de 2030 também avançaram significativamente. O movimento evidencia a confiança renovada dos investidores no cenário fiscal argentino, após o reconhecimento da melhora econômica e política fiscal pelo governo de Javier Milei.

Análise do desempenho fiscal e medidas do governo Milei

A elevação do rating para B- pela S&P foi fundamentada em medidas fiscais rigorosas e no superávit primário sustentado que o governo argentino vem apresentando. Além disso, a acumulação de reservas internacionais, com o Banco Central adquirindo mais de US$ 10 bilhões em 2026, reforçou a liquidez externa do país. Essas ações, associadas à desregulamentação e políticas para normalizar o regime monetário e cambial, criaram um ambiente favorável para que a Argentina reduzisse vulnerabilidades econômicas históricas e aumentasse sua credibilidade junto aos mercados internacionais.

Perspectivas para o acesso da Argentina aos mercados internacionais de capitais

Com o upgrade da S&P, a Argentina ficou mais próxima de retomar o acesso aos mercados internacionais de capitais, condição essencial para financiar seu desenvolvimento e reforçar as reservas internacionais. Especialistas apontam que o país deve iniciar discussões sobre novas emissões de dívida conforme a normalização do perfil de risco. Embora o rating ainda esteja abaixo do grau de investimento, a perspectiva estável e o avanço recente facilitam a possibilidade de operações de gestão de passivos e emissão de títulos, que podem fortalecer a posição fiscal antes das eleições presidenciais previstas para 2027.

Desafios políticos e econômicos diante das eleições presidenciais de 2027

Apesar dos avanços, a S&P alerta que a Argentina enfrentará pressões econômicas e políticas significativas nos próximos 18 meses, especialmente em função da incerteza eleitoral. A continuidade das reformas econômicas depende do resultado das eleições de 2027 e da capacidade do governo de manter o equilíbrio fiscal diante de um cenário eleitoral potencialmente volátil. A resistência dos investidores a riscos políticos permanece um fator de atenção, mas o atual modelo fiscal e a estratégia econômica permitem uma expectativa otimista no curto prazo.

Histórico recente de rating e comparação entre agências

Este upgrade pela S&P é o segundo em menos de dois meses, acompanhando a elevação feita anteriormente pela Fitch Ratings, que também elevou a nota soberana da Argentina para B- em maio de 2025. A Moody’s mantém a classificação em Caa1, com perspectiva positiva após duas elevações consecutivas. Essa convergência nas avaliações das agências reflete a percepção gradual de recuperação da economia argentina, com destaque para a redução da inflação e superávits fiscais, elementos que têm sido decisivos para o reposicionamento do país no radar dos investidores internacionais.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Agustin Marcarian

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