Bebida originária de Guaraqueçaba nasceu há cerca de quatro décadas com pescador aposentado

A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou o reconhecimento da cataia, conhecida como uísque caiçara, como patrimônio cultural imaterial do estado.
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou o reconhecimento oficial da cataia, conhecida como uísque caiçara, como patrimônio cultural imaterial do estado.
A aprovação reconhece o valor histórico e a força de uma tradição que nasceu no litoral paranaense. Para a comunidade da Barra do Ararapira, em Guaraqueçaba, a novidade traz reflexões e desafios que vão além do reconhecimento simbólico.
A história da bebida começou há cerca de quatro décadas com o pescador aposentado Rubens Jorge Muniz. Ele encontrou a folha no mato, sentiu o aroma marcante que lembra cravo e canela e resolveu testar na cachaça para ver no que dava. Rubens distribuiu os primeiros litros da bebida, o pessoal aprovou e a ideia se espalhou por toda a região.
O hábito de tomar o chá da folha para aliviar dores de cabeça ou no estômago já vinha de gerações anteriores na comunidade. A mistura na bebida alcoólica, porém, transformou a rotina do lugar e criou uma identidade própria para Guaraqueçaba.
Atualmente, o grupo Mulheres Produtoras de Cataia segura as pontas desse legado. Organizadas em uma associação criada em 2007, elas enfrentam uma rotina pesada na Mata Atlântica para fazer a coleta sustentável e o manejo das folhas. A caminhada pelas trilhas até o local onde a árvore nasce não é fácil, o que representa um desafio contínuo para a preservação da tradição.





