Pesquisa oficial revela desaceleração no setor industrial com custos de insumos elevados e contração nos pedidos de exportação
Atividade industrial da China estagnou em maio com queda nos pedidos de exportação e aumento dos custos de insumos.
Atividade industrial da China em maio reflete estagnação e desafios de mercado
A atividade industrial da China estagnou em maio, evidenciando uma desaceleração no crescimento econômico da segunda maior potência mundial. Segundo o índice oficial dos gerentes de compras (PMI) divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas, o setor caiu para 50 em maio, número que separa o crescimento da contração. Essa leitura representa a mais baixa em três meses e confirma o enfraquecimento da demanda enfrentado pelo setor industrial chinês, com destaque para a contração nos novos pedidos de exportação.
O analista Wen Tao, do Centro de Informações Logísticas da China, destaca que a desaceleração da demanda externa foi particularmente notável, especialmente devido à queda nas exportações de bens de consumo industrial. Mesmo com uma melhora na oferta, a demanda interna permanece fraca, afetada por dificuldades no mercado imobiliário, no emprego e nos gastos dos consumidores, deixando o país dependente da demanda global para absorver sua produção industrial.
Impacto dos custos de insumos e pressões geopolíticas na indústria chinesa
Além da demanda fraca, o aumento contínuo dos custos de insumos exerce pressão significativa sobre os fabricantes chineses. O indicador de preços de matérias-primas no PMI permaneceu em 60,5, indicando que os custos seguem em alta, embora em ritmo mais lento que no mês anterior. Esse cenário é agravado por fatores externos, como a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de energia, elevando os preços e reduzindo as margens de lucro das indústrias.
A manutenção dos custos elevados impacta diretamente os preços finais dos produtos, colocando desafios aos fabricantes diante da necessidade de competir tanto no mercado interno quanto no exterior. Esses elementos combinados reforçam a necessidade de ajustes estruturais para garantir a sustentabilidade do setor industrial chinês.
Setor de serviços e construção apresentam sinais de recuperação em maio
Apesar da estagnação na indústria, o índice de atividade não manufatureira, que inclui serviços e construção, mostrou crescimento em maio, subindo para 50,1 em comparação a 49,4 em abril. O indicador de serviços atingiu 50,3, o valor mais alto em nove meses, impulsionado pelo aumento dos gastos com viagens durante o feriado prolongado no início do mês.
Esse desempenho positivo no setor de serviços sugere que as políticas de Pequim para ampliar essa área da economia podem estar surtindo efeito, oferecendo uma alternativa para compensar a lentidão observada na produção manufatureira e estimular a demanda interna.
Estratégias do governo chinês para enfrentar a desaceleração industrial
Frente ao cenário desafiador, o governo da China estabeleceu uma meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) menos ambiciosa para 2026 e sinalizou a intenção de promover reformas para equilibrar oferta e demanda. A redução da dependência das exportações e o fortalecimento do consumo interno são pilares centrais dessas estratégias, buscando reverter o enfraquecimento do setor industrial.
O ajuste nas metas econômicas e as iniciativas de política indicam uma adaptação às condições atuais, com foco na sustentabilidade do crescimento e na mitigação dos impactos das pressões externas e internas sobre a economia chinesa.
Fonte: www.infomoney.com.br





