Banco Central registra desaceleração do crédito livre por juros altos

Ata do Copom divulgada terça-feira mostra que instituições financeiras ficam mais seletivas com a Selic em 13,75% ao ano

Banco Central registra desaceleração do crédito livre por juros altos
Crédito alto e juros expressivos retroalimentam a dívida no Brasil e travam consumo. Foto: Ilustração gerada por IA — Foto: Crédito alto e juros expressivos retroalimentam a dívida no Brasil e travam consumo  • Ilustração gerada por IA

Banco Central destacou na ata do Copom a desaceleração do crédito livre, com redução em modalidades de prazo mais longo

O Banco Central registrou desaceleração do crédito livre na ata do Copom divulgada nesta terça-feira (22). A instituição destacou redução nas modalidades de prazo mais longo, movimento que afeta consumidores e empresas.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que esse quadro está associado à política monetária restritiva e às incertezas locais e internacionais. Segundo a entidade, os resultados recentes dos bancos refletem “a postura mais cautelosa das instituições financeiras, que focam em linhas de menor risco”.

Com a taxa Selic em 13,75% ao ano, as prestações mais altas freiam a troca de carro, compra de eletrodomésticos e expansão de negócios. Do lado dos bancos, o efeito é mais seletividade para emprestar.

Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, explica que o crédito é um canal de transmissão tradicional da política monetária. “Com a taxa Selic em patamar restritivo já há bastante tempo, é esperado que se observe uma desaceleração”, afirma.

Nem todas as linhas respondem da mesma forma aos juros elevados. Segundo Vital, as modalidades emergenciais, geralmente mais caras, tendem a ser menos sensíveis. Quem precisa cobrir uma despesa urgente nem sempre consegue adiar o empréstimo. A ata registra que essas operações continuam crescendo, embora em ritmo menor.

O crédito direcionado também mantém expansão. A Febraban destaca que essas linhas ajudam a atender setores como agricultura e imobiliário, além de empresas apoiadas por programas com fundos garantidores governamentais. Para Vital, operações associadas a políticas públicas podem amenizar o efeito da Selic restritiva. “Embora seja importante para o empresário, a ação tende a obstruir o canal de transmissão, reduzindo assim o efeito da política monetária na economia”, avalia.

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