Brasil desaba sete posições no levantamento mundial e ocupa 65º lugar, revertendo ganhos de 2025 e atingindo seu pior desempenho em anos

27/03/2025
REUTERS/Amanda Perobelli
Queda de sete posições coloca o Brasil na 65ª posição entre 70 economias avaliadas, marcando o pior resultado já registrado pelo país no levantamento.
Análise da Queda Brasileira no Ranking de Competitividade Global
O ranking competitividade Brasil atingiu seu patamar mais crítico em 2026, com a nação ocupando a 65ª posição entre 70 economias avaliadas pelo levantamento anual do IMD World Competitiveness Center. A queda de sete colocações em relação ao ano anterior marca não apenas uma reversão de tendência, mas a consolidação de um cenário de deterioração econômica estrutural.
Magnitude da Retração e Contexto Histórico
O desempenho atual supera em gravidade todos os registros anteriores documentados pela instituição ao longo de suas três décadas e meia de análise. Até 2024, o Brasil havia mantido um piso mínimo na 62ª posição, enquanto oscilava entre a 56ª e 62ª colocação durante a última década. A atual posição o coloca como o sexto pior desempenho global, compartilhando a base do ranking apenas com Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
O avanço conquistado em 2025, quando alcançou a 58ª posição e sua melhor marca desde 2020, foi completamente anulado. Essa volatilidade sugere instabilidade estrutural nas condições macroeconômicas e de ambiente de negócios.
Metodologia e Dimensões Avaliadas
O levantamento combina 341 indicadores de diferentes naturezas: dados estatísticos internacionais consolidados e percepções de executivos sobre o clima empresarial em cada nação. No Brasil, a apuração é conduzida pelo Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, com sede em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Os quatro pilares estruturantes do índice são: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A deterioração foi universal, afetando cada um deles sem exceção.
Destaques Críticos por Setor
A eficiência empresarial apresentou a queda mais acentuada, perdendo 11 posições. O desempenho econômico recuou seis colocações, embora permaneça como o pilar mais robusto do país, mantendo a 36ª posição global. A eficiência governamental mantém trajetória de declínio observada desde 2022, enquanto a infraestrutura também registrou piora no comparativo anual.
Em indicadores específicos, a situação é alarmante: o Brasil ocupa a última posição global em custo de capital, educação básica, endividamento corporativo e produtividade da força de trabalho. Esses fatores revelam gargalos profundos que limitam a competitividade de empresas brasileiras nos mercados doméstico e internacional.
Implicações para a Economia Nacional
A metodologia utiliza o conceito de capacidade econômica para sustentar ambientes favoráveis ao desempenho empresarial, independentemente da natureza das organizações. A queda sistemática sugere que as condições macroeconômicas, políticas e infraestruturais não estão criando oportunidades para que empresas privadas e estatais operem de forma competitiva.
O número de economias incluídas no ranking cresceu de 61 países em 2015 para 70 em 2026, o que parcialmente explica mudanças relativas de posição, mas não justifica a magnitude da queda brasileira em termos absolutos de desempenho.
Perspectivas e Desafios Estruturais
A reversão desse quadro exigirá ações coordenadas em múltiplas frentes: estabilização fiscal que reduza custos de capital, investimentos substanciais em educação básica e superior, modernização de infraestrutura física e digital, além de políticas que controlem o endividamento corporativo e estimulem a produtividade do trabalho.
A volatilidade observada nos últimos anos indica que as políticas implementadas não têm gerado estabilidade institucional suficiente para atrair capital e confiança de investidores. O ranking serve como indicador agregado dessa percepção de risco e insegurança quanto às perspectivas econômicas brasileiras.





