Governo aciona PF e MPF para investigar suposto financiamento americano de grupos contra o STF

Interlocutores do presidente Lula relatam preocupação crescente com medidas veladas da gestão Trump para influenciar o pleito
Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem enxergar um número crescente de medidas veladas da gestão Donald Trump para influenciar a eleição e temem uma ação mais incisiva de última hora, às vésperas do segundo turno. O sinal de alerta tem relação ao menos em parte com o cenário das pesquisas de intenção de voto, em que Lula aparece muitas vezes tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro.
Existe na campanha de Lula uma preocupação crescente em ingressar na segunda etapa de votação com uma vantagem significativa nas urnas e nos levantamentos de intenção de voto. Segundo a campanha, o ideal seria Lula entrar no segundo turno já com entre 5 e 7 pontos de frente em relação a Flávio no total de votos contabilizados.
Integrantes da campanha traçam em conversas reservadas que uma vantagem inicial poderia desmotivar o governo Trump a se mobilizar em apoio à direita, com base na aposta de que as chances de vitória de Lula seriam superiores.
A equipe petista trabalha intensamente as medidas a serem tomadas nos dias que sucedem o primeiro turno. Uma aposta é a aprovação do fim da escala 6×1 entre a primeira e a segunda etapa de votação. Segundo fontes ligadas à campanha, já teria sido dado um sinal positivo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que a proposta pode ser colocada em votação.
Nesta semana, o The Guardian publicou uma reportagem apontando que o governo Trump teria destinado US$ 1 milhão ao grupo Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil, que financia grupos da sociedade brasileira que se opõem a medidas do Supremo Tribunal Federal.
O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), pedindo investigação sobre as medidas de suposta interferência americana. O pedido foi apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que denunciou “um possível direcionamento de verbas públicas do governo dos Estados Unidos para o financiamento de redes e organizações atuantes no território brasileiro com a finalidade de interferir no debate político e institucional e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF)”.


