China monitora falas e práticas de Flávio Bolsonaro para avaliar relação bilateral

Governo chinês observa candidato do PL com preocupação sobre posicionamento pró-EUA, mas o vê como mais pragmático que seu pai

China monitora falas e práticas de Flávio Bolsonaro para avaliar relação bilateral
O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Foto: GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO — Foto: O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL)  • GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Pequim observa com atenção o candidato à Presidência pelo PL em relação a temas estratégicos como minerais críticos e inteligência artificial

O governo chinês acompanha “falas e práticas” do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, para avaliar a relação bilateral em caso de vitória, segundo fontes em Pequim. Há preocupação com uma atitude abertamente pró-Estados Unidos e hostil à China por parte de um eventual novo governo de direita, embora autoridades chinesas vejam Flávio como mais pragmático e moderado do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Confrontos retóricos entre Brasil e China marcaram a relação durante o primeiro biênio da gestão anterior. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu aos chineses culpa pela pandemia, e o ex-chanceler Ernesto Araújo chamou o vírus responsável pela covid-19 de “comunavírus”. O então embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, atuava ativamente nas redes sociais e reagiu publicamente em diversas ocasiões, aumentando a fricção com o Itamaraty.

As críticas mútuas começaram a diminuir apenas na segunda metade do governo Bolsonaro, após a demissão de Araújo e sua substituição por Carlos França como ministro das Relações Exteriores. Agora, conforme apurado pela imprensa, a determinação de Pequim é ter muito cuidado. O atual embaixador chinês, Zhu Qingqiao, adota postura bem mais discreta nas plataformas digitais e deverá se manter afastado das principais campanhas ao Palácio do Planalto para evitar qualquer interpretação de simpatia por candidatos.

Interlocutores no governo chinês argumentam, reservadamente, que a relação com o Brasil é estratégica e oferece benefícios mútuos de longo prazo, portanto não é vulnerável a reveses imediatos. As “falas e práticas” de Flávio — expressão usada por fonte em Pequim — deverão ser monitoradas com especial atenção em caso de vitória, particularmente em áreas como minerais críticos e inteligência artificial. O Escritório do Representante Comercial da Casa Branca chegou a pedir, em documento de janeiro de 2026, que o governo brasileiro revisasse a venda das minas de níquel da Anglo American em Goiás, Mato Grosso e Pará à chinesa MMG — negócio fechado por US$ 500 milhões em 2025.

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