Conectividade aérea enfrenta desafios para recuperar rotas pré-pandemia

Paulo Pinto/Agencia Brasil

Regulação excessiva e impostos elevados dificultam expansão da malha aérea e impacto econômico

Conectividade aérea ainda não alcança níveis pré-pandemia devido a regulação excessiva e altos impostos, afetando expansão de rotas e turismo.

Confira os principais dados sobre a conectividade aérea

A conectividade aérea enfrenta desafios para recuperar as rotas pré-pandemia, conforme apontam dados recentes da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Entre 2015 e 2019, o crescimento anual das rotas foi de 3%, chegando a 70.174 em 2019, mas em 2025 esse número caiu para 68.972 rotas globais. Na América Latina, a redução foi de 4.109 para 3.961 rotas no mesmo período.

Impactos da crise da cadeia de suprimentos na malha aérea global

A crise da cadeia de suprimentos, que tem atrasado a entrega de novas aeronaves, é um dos fatores que impedem a ampliação da malha aérea e a recuperação do número de rotas. A IATA destaca que, embora o número de passageiros tenha crescido e superado os níveis pré-pandemia, as rotas não acompanharam essa recuperação, refletindo mudanças nas estratégias das companhias aéreas e nos hábitos dos viajantes.

Regulação excessiva como entrave na Europa e América Latina

A regulação excessiva imposta por governos emerge como um grande obstáculo para a expansão da conectividade aérea. Na União Europeia, as regras rígidas de direitos dos passageiros, que custam bilhões de euros anualmente, não resultaram em melhorias significativas no desempenho do sistema aéreo, especialmente no controle de tráfego. Debates sobre limites de compensação por atrasos, com propostas para aumentar o prazo de 3 para 5 horas, foram diluídos por pressões políticas, prejudicando reformas sensatas.

Na América Latina, mais de 150 propostas regulatórias foram identificadas, com 113 consideradas negativas para o setor. Exemplos incluem limites tarifários na Colômbia, regras sobre assentos e transferibilidade de passagens no Peru, e discussões sobre franquia gratuita de bagagem no Chile e Brasil. Além disso, o Brasil apresenta alto índice de ações judiciais relacionadas aos direitos dos passageiros, impactando a operação das empresas aéreas.

Efeitos da carga tributária sobre tarifas e demanda aérea

A elevada carga tributária sobre as companhias aéreas, que ultrapassa US$ 60 bilhões anuais globalmente, agrava a situação ao elevar o custo das passagens. Países como Suécia e Alemanha têm tomado medidas para reduzir esses impostos, enquanto a França aumentou sua “taxa de solidariedade”, afetando a participação de suas companhias no mercado.

No Brasil, a proposta de cobrança de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 26,5% sobre passagens aéreas pode reduzir a demanda em até 30%, segundo análise da IATA. Esse aumento tributário tende a enfraquecer rotas regionais e sensíveis a preço, levando as companhias a cortarem frequências e reduzirem o acesso ao transporte aéreo.

Consequências para o turismo e a economia regional

A limitação da conectividade aérea impacta diretamente o turismo e a economia regional, reduzindo o fluxo de visitantes e a capacidade de integração entre cidades e países. A falta de expansão e a eventual redução das rotas comprometem a resiliência do setor e a oferta de serviços essenciais para o desenvolvimento econômico.

Caminhos para melhorar a conectividade aérea e o ambiente regulatório

Para reverter essa tendência, especialistas e a IATA recomendam que os governos adotem reformas regulatórias mais sensatas, reduzam a burocracia e a carga fiscal, e promovam um ambiente competitivo saudável para as companhias aéreas. A flexibilização das regras de direitos dos passageiros e o estímulo à inovação operacional são apontados como medidas necessárias para fortalecer o setor e garantir a recuperação plena da conectividade aérea global.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Paulo Pinto/Agencia Brasil

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