Primeira paciente do Paraná recebe dispositivo de assistência ventricular com apoio do Estado pelo SUS
O Paraná marca novo avanço na saúde pública com a operação pioneira de coração artificial pelo SUS, ampliando tratamentos cardíacos.
Avanço no tratamento cardíaco com coração artificial pelo SUS no Paraná
A implantação do coração artificial pelo SUS no Paraná marca um avanço importante na assistência a pacientes com insuficiência cardíaca grave. No dia 12 de maio de 2026, Andressa Fátima Reinaldi Banach, moradora de São José dos Pinhais, recebeu o dispositivo HeartMate 3 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Essa cirurgia inovadora foi possível graças à articulação da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), que garantiu desde o encaminhamento até o transporte e o acompanhamento pós-operatório da paciente no Hospital do Rocio, em Campo Largo.
Histórico clínico e indicação do implante para pacientes com restrições
Andressa sofria de insuficiência cardíaca grave com dilatação progressiva do ventrículo esquerdo, tendo contraindicação para o transplante cardíaco tradicional devido ao elevado grau de sensibilização imunológica. Com painel imunológico de 99%, a paciente apresentava alta incompatibilidade com potenciais doadores, o que inviabilizava o transplante convencional. Diante desse quadro, o implante do coração artificial HeartMate 3 tornou-se a única alternativa terapêutica viável para garantir sua sobrevida.
Coordenação entre estados e hospitais para garantir tratamento de ponta pelo SUS
O secretário de Saúde do Paraná, César Neves, destacou a importância da articulação entre instituições paranaenses e o centro especializado em São Paulo para viabilizar o procedimento. A Sesa não apenas assegurou o encaminhamento e a cirurgia, como também garantiu a logística de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e o transporte em UTI aérea para retorno e cuidado pós-cirúrgico da paciente no Paraná. Esse modelo destaca a capacidade de gestão integrada e o compromisso do SUS em promover terapias complexas com alta tecnologia.
Capacitação e estrutura hospitalar preparadas para o novo dispositivo
O Hospital do Rocio realizou capacitação intensiva da equipe multidisciplinar para manejo do dispositivo artificial, capacitando médicos e enfermeiros, inclusive por meio de visitas técnicas ao hospital de São Paulo. O equipamento HeartMate 3 exige cuidados específicos para prevenção de complicações como trombose e infecções. A instituição, referência em transplantes cardíacos desde 2015, amplia sua atuação para incorporar essa terapia avançada, com perspectiva de se tornar centro de referência regional para esses procedimentos.
Tecnologia e cuidados continuados para garantir qualidade de vida
O HeartMate 3 é um dispositivo de assistência ventricular esquerda de fluxo contínuo que utiliza tecnologia de levitação magnética para minimizar atrito e riscos associados. O aparelho pode ser alimentado por fonte fixa ou baterias portáteis, possibilitando maior autonomia ao paciente. Após a cirurgia, Andressa recebeu treinamento ao lado de seus cuidadores para uso correto e cuidados higiênicos do dispositivo, com acompanhamento ambulatorial rigoroso para toda a vida.
Impacto social e expectativa de retomada da vida cotidiana
O implante do coração artificial devolveu à paciente a possibilidade de realizar atividades comuns, como cuidar dos filhos e retomar sua rotina com mais autonomia. Familiares expressaram gratidão pela oportunidade de tratamento pelo SUS, ressaltando o papel essencial do suporte familiar e da equipe médica para o sucesso do processo. Andressa simboliza a esperança e o avanço da saúde pública no Paraná na oferta de soluções inovadoras para condições antes consideradas sem alternativas.
Financiamento público e incorporação da tecnologia ao SUS
O procedimento foi custeado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), que permite o investimento de hospitais filantrópicos de excelência em serviços para a rede pública. Desde 2009, mais de R$ 11,5 bilhões foram investidos em melhorias no SUS por meio desse programa. A inserção do dispositivo HeartMate 3 no rol de procedimentos do SUS ocorreu em dezembro de 2024, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), ampliando o acesso a essa terapia para pacientes com insuficiência cardíaca avançada e contraindicação para transplante.





