Crítico elogia prosa de romance sobre morte de mãe de escritor

Livro "Antes do Silêncio" recebe análise favorável sobre qualidade textual, mas debate esperança e fé

Crítico elogia prosa de romance sobre morte de mãe de escritor
Rogério Pereira, autor do livro resenhado

Crítico analisa romance que narra os últimos dias de vida da mãe do autor, com foco em qualidade da escrita e reflexões sobre sofrimento e fé

Um crítico analisa o romance “Antes do Silêncio”, de Rogério Pereira, destacando a qualidade excepcional da prosa do escritor.

A obra, com 157 páginas, é descrita como um dos livros “mais bem-escritos” já lidos, sem nenhuma palavra fora do lugar. Conforme a resenha, “todas as frases são, digamos, sublinháveis” e a narrativa é construída como “prosa escrita com intenção de verso”.

O romance narra os últimos dias de vida da mãe do autor e é entrelaçado com reflexões sobre o sofrimento de um sobrevivente do Holocausto. O crítico observa que Pereira faz da morte da mãe um “Holocausto próprio”, concentrando intensamente a narrativa no aspecto trágico da experiência.

Segundo a análise, a história, embora “redondinha”, “é cheia de arestas” que representam o maior incentivo para a leitura. Essas arestas são exploradas através do sofrimento do narrador, que o crítico sugere não precisaria ser tão absoluto.

A resenha aponta uma limitação na obra: a ausência de esperança, contemplação ou gratidão. O crítico afirma que teria gostado de encontrar “uma nesga de esperança” entre as frases perfeitas do livro.

Um aspecto relevante é o tratamento da fé religiosa da mãe. O narrador “menospreza” a fé da mãe, considerando-a superstição, o que o crítico destaca como um elemento que o narrador não consegue compreender adequadamente.

O crítico menciona que conhece pessoalmente o autor e caracteriza o relacionamento entre eles como marcado por uma “tensão nostálgica”, resultante das mudanças que ambos experienciaram. A leitura da obra levou seis meses para ser concluída, segundo relato.

A conclusão da resenha expressa uma reflexão pessoal do crítico: após ler o livro, surgiu o desejo de abraçar silenciosamente o autor em Campo Largo, associado à sensação de ter vislumbrado “a alma exposta” do amigo. Questionava-se, naquele momento, se também teria uma natureza tão triste sob suas defesas pessoais.

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