Custo de matéria-prima assume principal desafio para a indústria em 2026

Iano Andrade/CNI

Pesquisa da CNI revela que o aumento dos preços das matérias-primas superou a taxa de juros como maior preocupação do setor industrial

O custo de matéria-prima ultrapassou os juros altos como principal preocupação da indústria, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio.

A nova prioridade da indústria: custo de matéria-prima em 2026

O custo de matéria-prima assumiu a principal posição entre as preocupações da indústria brasileira em março de 2026, conforme aponta a Sondagem Industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 24 de abril de 2026. Esta mudança reflete um contexto marcado pela escalada dos preços dos insumos, impulsionada por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os custos do petróleo e outras commodities essenciais para o setor produtivo. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destaca que essa pressão inflacionária, aliada aos juros elevados, desafia a sustentabilidade financeira das empresas.

Evolução da produção industrial e capacidade instalada em março

Apesar do cenário desafiador, a indústria apresentou sinais positivos em indicadores de atividade. A produção industrial cresceu 8,3 pontos, passando de 45,4 em fevereiro para 53,7 em março, confirmando a retomada sazonal esperada. Paralelamente, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) avançou de 66% para 69%, superando a média histórica para o mês, que é de 67%. Esses resultados indicam um aquecimento da atividade produtiva, apesar dos obstáculos enfrentados.

Estoques industriais ainda abaixo do planejado

Em contrapartida, o índice de estoque efetivo em relação ao planejado está em 49,5 pontos, ligeiramente abaixo da linha de 50 pontos que demarca o equilíbrio. Esse dado evidencia que os estoques de produtos industriais permanecem aquém do desejado pelos empresários, o que pode indicar cautela com a demanda futura ou dificuldades na reposição devido ao custo elevado das matérias-primas.

Impactos econômicos do conflito no Oriente Médio para a indústria

A pesquisa da CNI revela que o conflito no Oriente Médio tem sido um fator determinante para o aumento dos preços das matérias-primas, influenciando o custo de produção industrial no Brasil. A alta no custo do petróleo, por exemplo, tem efeitos diretos sobre o preço de diversos insumos e o transporte, comprometendo a margem das empresas. Essa conjuntura também afeta o crédito e o fôlego financeiro das indústrias, que já convivem com juros elevados há meses.

Ranking dos principais desafios da indústria segundo a CNI

No primeiro trimestre de 2026, a elevada carga tributária continua sendo o principal entrave para 34,8% dos empresários industriais, embora tenha sofrido uma redução em relação ao trimestre anterior. Em segundo lugar, figura o custo ou a falta de matérias-primas, que subiu expressivamente, sendo apontada por 30,8% das empresas, ultrapassando a questão dos juros altos que recuou para a terceira posição com 27,2% das indicações. Essa mudança no ranking reflete a importância crescente do impacto dos insumos na competitividade e sustentabilidade do setor.

Expectativas otimistas para demanda e exportações, mas cautela nos investimentos

A sondagem mostrou que as expectativas dos empresários melhoraram em abril de 2026, com aumentos nos índices relacionados à demanda por produtos industriais (53,9 pontos), compra de insumos e matérias-primas (52,5 pontos), e exportações (50,9 pontos). Contudo, a expectativa para o número de empregados apresentou ligeira queda, chegando a 50,1 pontos, indicando estabilidade dos postos de trabalho. Além disso, o índice de intenção de investimento caiu pelo quarto mês consecutivo, passando de 54,8 para 53,7 pontos, refletindo a prudência diante do cenário externo e da pressão dos juros altos.

Perspectivas para o futuro da indústria brasileira em 2026

O contexto atual impõe desafios complexos para a indústria, que precisa equilibrar o aumento dos custos de produção com a manutenção da competitividade e a resposta à demanda crescente. A pressão sobre as matérias-primas e o ambiente financeiro restritivo reforçam a importância de políticas eficazes para mitigar impactos externos e fomentar investimentos. Ainda que haja sinais de recuperação produtiva, a indústria brasileira mantém cautela quanto à expansão do quadro de funcionários e investimentos, aguardando maior estabilidade econômica e geopolítica.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Iano Andrade/CNI

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