O uso excessivo de antimicrobianos na pecuária pode gerar prejuízos econômicos significativos e desafios para a sustentabilidade do setor
O custo invisível dos antibióticos na pecuária pode gerar perdas bilionárias e ameaçar a sustentabilidade do agro nas próximas décadas.
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Crescimento projetado do uso de antimicrobianos até 2040 na pecuária
O custo invisível dos antibióticos é uma preocupação crescente, especialmente considerando que o uso de antimicrobianos na pecuária mundial deve aumentar cerca de 30% até 2040, segundo relatório recente da FAO. Esse crescimento tem implicações diretas sobre a sustentabilidade e a segurança da produção animal. O Brasil, como um dos maiores exportadores globais de carne bovina, frango e suína, está no centro dessas discussões, pois a rastreabilidade e o uso responsável de medicamentos veterinários são cada vez mais exigidos por mercados internacionais como a União Europeia.
Impactos econômicos da resistência antimicrobiana na produção animal
A resistência antimicrobiana representa um risco bilionário para o agro, podendo acarretar perdas de até US$ 318 bilhões globalmente até 2040, conforme estimativas da FAO. Quando bactérias resistentes emergem no rebanho, o tratamento das doenças torna-se menos eficaz, aumentando custos operacionais e reduzindo a produtividade. O desafio está em equilibrar os custos imediatos de medidas preventivas, como vacinação e biossegurança, com os benefícios a médio e longo prazo decorrentes da preservação da efetividade dos antimicrobianos.
Pressões internacionais e regulamentações para o uso racional de antibióticos
O Brasil enfrenta pressões para adequar seus processos ao uso racional dos antibióticos, especialmente da União Europeia, que recentemente retirou o país da lista de exportadores por não cumprir requisitos sobre o uso desses medicamentos na vida dos animais. Há prazo até setembro para apresentação documental que demonstre conformidade, sob risco de prejuízos estimados em US$ 1,8 bilhão. Além disso, iniciativas internacionais como a Aliança para Salvar Nossos Antibióticos apelam por restrições à importação de carnes produzidas com promotores de crescimento antimicrobianos, o que pode afetar diretamente as exportações brasileiras.
Desafios para a transição rumo a sistemas produtivos sustentáveis
A substituição do uso excessivo de antibióticos por práticas que priorizam a saúde animal, como melhor manejo e assistência veterinária, exige investimentos imediatos, que podem ser onerosos especialmente para produtores em países em desenvolvimento. Muitas vezes, antibióticos são a alternativa mais acessível, dificultando a adoção rápida de medidas preventivas. O desafio é promover políticas públicas e incentivos que facilitem essa transição, garantindo a competitividade do setor e a segurança alimentar global.
O papel estratégico do Brasil na segurança alimentar e sustentabilidade global
Com a América do Sul projetada para responder por quase 20% do consumo mundial de antimicrobianos na produção animal até 2040, o Brasil tem papel crucial em estabelecer estratégias de redução do uso desses medicamentos. O custo invisível dos antibióticos transcende a saúde animal e se configura como uma questão econômica e estratégica, afetando diretamente a capacidade do agro de conciliar produtividade, competitividade e sustentabilidade para atender a uma população mundial crescente.





