Pesquisa mostra que 32% dos eleitores apontavam risco à democracia como segundo problema mais importante

Democratas conquistaram ambas as casas legislativas americanas. Rejeição ao modo agressivo de governar de Trump foi fator determinante nas eleições para o Congresso.
Os democratas conquistaram as duas casas do Congresso norte-americano, infligindo uma derrota histórica ao Partido Republicano. Embora o presidente Donald Trump não estivesse nas cédulas de votação, foi o maior perdedor das eleições legislativas.
Trump terá agora que administrar o país com o Congresso nas mãos da oposição. A insatisfação dos eleitores com o custo de vida, situação econômica e guerra contra o Irã explicam em grande medida esse resultado.
Segundo pesquisa realizada no dia da eleição para a rede conservadora Fox News, 32% dos eleitores apontavam o risco de enfraquecimento da democracia como o segundo problema mais importante do país, atrás apenas da economia. Cerca de metade dos americanos também indicou ver a eleição como oportunidade para dar um recado a Trump.
A rejeição clara ao modo agressivo e controverso como o presidente governa foi fator importante nas eleições. Uma parcela expressiva do eleitorado está cansada de um governo marcado por ataques permanentes a quem discorda dele, confrontos e ofensas pessoais, sem disposição para aceitar críticas ou reconhecer erros.
Trump frequentemente apresenta suas realizações como as maiores, melhores e mais importantes da história americana ou mundial. Essas declarações costumam conter distorções e dados falsos. Quando os fatos contrariam seu discurso, ele ataca quem os apresenta. Em agosto de 2025, depois que dados oficiais mostraram desaceleração na criação de empregos, Trump preferiu demitir a chefe do órgão responsável pelas estatísticas de trabalho. Sem apresentar provas, acusou-a de manipular números que não lhe agradavam.
Os ataques pessoais tornaram-se marca de sua presidência. Trump insultou adversários como a deputada progressista Alexandria Ocasio-Cortez e o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries. Chamou políticos de “baixo QI”, questionou inteligência de outros e fez referências depreciativas à aparência e religião de adversários.
Nem mesmo a Suprema Corte, de maioria conservadora e alinhada a Trump, escapou de críticas. Depois que seis ministros derrubaram sua política de tarifas, Trump atacou publicamente os magistrados, inclusive dois que ele próprio havia indicado.


