Democratas conquistam Congresso dos EUA e expõem vulnerabilidade da coalizão Trump

Análise mostra que vitória republicana de 2024 não produziu realinhamento duradouro na sociedade norte-americana

Democratas conquistam Congresso dos EUA e expõem vulnerabilidade da coalizão Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump Foto: REUTERS — Foto: Presidente dos EUA, Donald Trump  • REUTERS

Democratas venceram eleições para as duas casas do Congresso, questionando ideia de realinhamento duradouro produzido por Trump na sociedade norte-americana.

A conquista Democrata das duas casas do Congresso na eleição de terça-feira (4) questiona uma ideia fortalecida após 2024: a de que Trump havia produzido um realinhamento duradouro da sociedade norte-americana. As urnas mostraram que sua coalizão é vulnerável.

O resultado ainda não demonstrou, porém, que outra coalizão se consolidou em seu lugar. Nas pesquisas de saída, quase nove em cada dez eleitores consideraram o custo de vida um fator importante, e sete em cada dez queriam mais limites congressuais ao presidente.

Trump voltou à Casa Branca ampliando seu apoio entre trabalhadores, homens jovens e eleitores latinos, com promessas de recuperar o poder de compra e evitar novas guerras. Dois anos depois, o custo de vida, as tarifas e o conflito com o Irã expuseram as contradições entre promessa e experiência de governo.

A reação dos eleitores combina cobrança por resultados e demanda por contrapesos, sem necessariamente se equivaler a uma conversão ideológica coletiva. Resultados em estados-chave indicam como a vantagem Republicana nessas regiões não é necessariamente irreversível.

No Texas, James Talarico rompeu um jejum de 38 anos de Democratas no Senado, enquanto Gina Hinojosa derrotou o governador Greg Abbott. Em Ohio, Sherrod Brown recuperou a cadeira que havia perdido em 2024, apesar de Trump ter vencido o estado três vezes. No Kansas, Adam Hamilton, pastor metodista, tornou-se o primeiro Democrata eleito senador desde 1932.

Na Carolina do Sul, Annie Andrews, pediatra, derrotou Darline Graham, candidata apoiada por Trump e nomeada para a cadeira antes ocupada pelo irmão, senador Lindsey Graham. Em Iowa, Josh Turek conquistou uma cadeira Republicana.

Esses resultados expõem, além da impopularidade presidencial, o peso das escolhas partidárias, das credenciais pessoais e da capacidade de traduzir problemas concretos em linguagem local. A fidelidade a Trump pode decidir uma primária sem garantir uma maioria na eleição geral. O apoio Republicano entre eleitores latinos caiu nas pesquisas de saída, depois dos ganhos obtidos por Trump em 2024.

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