Dívida pública brasileira ultrapassa 82% do PIB antes de nova gestão

Próximo presidente assumirá país que gasta mais do que arrecada e acumula R$ 11 trilhões em dívida bruta desde 2013.

Dívida pública brasileira ultrapassa 82% do PIB antes de nova gestão
Fachada do Palácio do Planalto em Brasília. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil — Foto da Fachada do Palácio do Planalto em Brasília (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

Dívida pública bruta aumentou de R$ 2,7 trilhões em 2013 para R$ 11 trilhões em agosto, equivalendo a 82,9% do PIB.

O presidente eleito no primeiro turno de domingo (4) de outubro assumirá em janeiro um país que gasta mais do que arrecada e cobre a diferença com empréstimos, levando a uma dívida pública em expansão contínua. A dívida pública bruta passou de R$ 2,7 trilhões no fim de 2013 para R$ 11 trilhões em agosto de 2026, crescendo mais de R$ 1 trilhão só neste ano.

Quando medida em relação ao tamanho da economia, a dívida subiu de 51,5% para 82,9% do PIB no período, atingindo pico próximo a 88% durante a pandemia. Essa comparação é mais utilizada porque parte do aumento vem da inflação.

O crescimento mais acelerado da dívida começou em 2014, com saltos mais fortes em 2015 e 2020. Em 2022, registrou queda relativa graças à inflação, que aumentou o PIB nominal e reduziu o peso percentual da dívida.

Segundo Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “é como se fosse uma família, apesar de muita gente não gostar de comparar o país com uma família, mas é um país que está se endividando para comer em restaurante, para ir para o cinema. Uma hora essa conta vai chegar”.

Mudar a rota de crescimento da dívida não é simples. Cerca de nove em cada dez reais gastos pelo governo federal, sem contar os juros, têm destinação definida por lei, como aposentadorias e salários. Boa parte das mudanças necessárias depende do Congresso Nacional.

Nem o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, nem o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, apresentaram plano detalhado para as contas públicas durante a campanha. O tema ficou praticamente fora do debate eleitoral.

Segundo o Morgan Stanley, o rombo antes dos juros encolheu bastante entre 2023 e 2025. A consultoria 4intelligence aponta receitas resilientes e despesas crescendo em ritmo menor, com o desemprego baixo. O JPMorgan pondera que apenas 7% da dívida está em moeda estrangeira e que o país tem reservas internacionais elevadas, o que mantém relativamente baixo o prêmio de risco cobrado do Brasil no exterior.

A projeção atual, porém, é de crescimento constante da dívida. A 4intelligence estima que ela chegue a 87,9% do PIB em 2027, enquanto as expectativas de mercado compiladas pelo Banco Central apontam para 102% em 2035.

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