Dólar segue sem rival, afirma ex-secretária do Tesouro americano

Janet Yellen reconhece enfraquecimento relativo da moeda, mas descarta substituta viável; reservas mundiais caem de 70% para 50%

Dólar segue sem rival, afirma ex-secretária do Tesouro americano
Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos EUA, durante painel sobre hegemonia monetária global

Ex-secretária do Tesouro americano reconhece que a força do dólar é menor que décadas atrás, mas sustenta que nenhuma moeda pode substituí-lo.

A hegemonia monetária do dólar segue consolidada, mesmo com sinais de enfraquecimento relativo, segundo Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos EUA. Durante participação em evento especializado, a ex-autoridade reafirmou que nenhuma moeda consegue substituir a divisa americana em seu papel de referência internacional.

Yellen reconheceu que a força do dólar moeda mundial é menor que em períodos anteriores. O dado mais concreto dessa mudança aparece nas reservas cambiais globais: caíram de 70% para aproximadamente 50% nas últimas décadas. Ainda assim, a distância em relação a concorrentes é significativa.

Erosão gradual de participação

A queda de vinte pontos percentuais nas reservas mundiais reflete processos econômicos e geopolíticos mais amplos. Diversificação de portfólios entre bancos centrais, crescimento relativo de outras economias e questionamentos sobre políticas monetárias americanas criaram espaço para alternativas.

Outras moedas, como euro, iuane e franco suíço, aumentaram participação nas reservas internacionais. Mesmo assim, nenhuma apresenta características que as tornariam substituta natural da moeda americana.

Critérios para moeda de reserva

Uma divisa internacional requer mercado financeiro profundo, liquidez substancial, estabilidade institucional e confiança política duradoura. O dólar mantém todas essas vantagens comparativas. O euro enfrenta fragmentação política na zona do euro. O iuane sofre restrições de conversibilidade e controles cambiais chineses.

Yellen argumenta que essas limitações estruturais impedem que qualquer moeda assuma o papel do dólar em curto ou médio prazo. A transição de supremacia monetária exigiria reformas institucionais e econômicas que nenhum concorrente completou.

Implicações para mercados

A permanência do dólar como moeda de referência sustenta demanda por ativos denominados em dólares, facilita transações comerciais internacionais e reforça o poder geopolítico americano. Para economias emergentes, a dependência da divisa americana continua estrutural.

Mesmo reconhecendo enfraquecimento relativo, Yellen descarta cenários de colapso iminente ou substituição rápida. A trajetória sugere erosão gradual, não ruptura abrupta. Esse ritmo mais lento oferece tempo para ajustes progressivos nos mercados e políticas monetárias globais.

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