Estudo do CLP aponta que aumento de dívidas e juros consome ganhos obtidos com empregos e mantém pressão econômica
O endividamento das famílias brasileiras cresce em meio à renda recorde, com juros altos consumindo a maior parte dos ganhos dos trabalhadores.
Panorama do endividamento das famílias brasileiras em 2026
O endividamento das famílias brasileiras em 2026 é o foco principal do estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) divulgado em 8 de fevereiro. Apesar de a renda média real alcançar um recorde de R$ 3.652 no trimestre encerrado em janeiro e a população ocupada atingir 102,7 milhões, uma parcela significativa dessa renda é consumida por dívidas, juros e parcelas, mantendo o endividamento em níveis elevados. Dados do Banco Central indicam que as dívidas equivalem a 49,9% da renda familiar, um patamar que iguala o pico histórico de julho de 2022.
Impacto do aumento do crédito consignado privado no endividamento
O crescimento do crédito consignado privado, impulsionado pelo novo modelo do Crédito do Trabalhador, resultou em um salto de 52% nas concessões entre fevereiro e março de 2026. Embora a medida buscasse aliviar os juros altos substituindo dívidas caras por outras com taxas menores e desconto em folha, o CLP ressalta que, na prática, o montante total de dívidas aumentou. O comprometimento da renda subiu de 28% para 38% em menos de um ano após a contratação do empréstimo, evidenciando que o consignado não tem reduzido o endividamento geral das famílias.
Relação entre política econômica, crédito e sustentabilidade fiscal
O estudo analisa como o modelo econômico atual, baseado em crescimento do gasto público e expansão do crédito, atingiu seus limites. O governo federal aumentou a despesa primária real em 12,9%, sustentando a renda e o consumo, mas isso gerou pressões inflacionárias que mantêm a taxa Selic em níveis altos, atualmente em 14,5% ao ano. As taxas médias de juros para pessoas físicas estão em patamares punitivos, perto de 61,5% ao ano, elevando a inadimplência para 5,3%. Paralelamente, a dívida bruta do governo geral projeta crescimento para 87% do PIB em 2027, limitando o espaço fiscal para novas despesas.
Consequências sociais e políticas do endividamento crescente
Segundo Daniel Duque, head de Inteligência Técnica do CLP, a situação atual cria um desgaste político ao frustrar a expectativa de que o emprego e o aumento salarial garantiriam bem-estar financeiro. O trabalhador está empregado, mas endividado, e a narrativa de prosperidade é contestada pela realidade do comprometimento crescente da renda com dívidas. Essa dualidade entre crescimento econômico e dificuldades financeiras impacta a percepção da estabilidade e qualidade de vida da população.
Propostas para enfrentar o desafio do endividamento das famílias
O documento do CLP defende a necessidade de controlar o crescimento das despesas públicas para favorecer a redução da taxa de juros e frear o estímulo ao crédito para famílias já muito comprometidas. Entre as sugestões está a venda de ativos públicos subutilizados para reduzir a dívida pública e liberar recursos para investimentos reais. O estudo alerta que o ciclo atual de gasto, crédito, consumo e emprego já não é sustentável a longo prazo, sendo urgente repensar as estratégias econômicas para garantir a estabilidade e a prosperidade.
O estudo do CLP evidencia que o endividamento das famílias brasileiras em 2026 é um fenômeno complexo, que relaciona diretamente o crescimento da renda e do emprego com o aumento das dívidas, juros elevados e política fiscal restritiva. Essa realidade requer atenção para a formulação de políticas que promovam equilíbrio financeiro e social.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Kelly Sikkema/ Unsplash





