Escalada do petróleo pressiona governo a renovar subsídio ao diesel

Subsídio de R$ 2,12 por litro vence nesta segunda-feira; preço internacional atingiu US$ 116,93 na sexta

Escalada do petróleo pressiona governo a renovar subsídio ao diesel
Petróleo pressiona preço do diesel. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — Petróleo pressiona preço do diesel (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Subsidio de R$ 2,12 por litro ao diesel vence nesta segunda-feira; decisão sobre renovação ainda não foi anunciada pelo governo

A escalada do preço do petróleo pressiona o governo do Brasil a renovar o subsídio de R$ 2,12 por litro ao diesel que vence nesta segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial.

Atualmente, o valor total das subvenções é de R$ 3,52 por litro, conforme estimativa da consultoria Stone X. Esse montante não paga nem metade do preço do diesel importado, cotado em R$ 6,76 por litro. O subsídio de R$ 2,12 pode ser prorrogado por mais 30 dias, mas a decisão ainda não foi anunciada pelo governo.

As cotações internacionais do petróleo estão em trajetória de alta desde a semana passada, quando se intensificaram os ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a pontos estratégicos da Arábia Saudita, incluindo refinarias e aeroportos. Na sexta (23), a commodity fechou cotada a US$ 116,93, maior valor desde abril.

Na abertura do mercado de sexta, o preço do diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava R$ 3,53 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Stone X. Na média do mercado, a defasagem era de R$ 3,29 por litro.

No caso da gasolina, a defasagem é menor, de R$ 0,58 por litro nas refinarias da Petrobras e de R$ 0,42 por litro na média nacional, que inclui os preços praticados por refinarias e importadores privados.

A manutenção dos preços dos combustíveis com defasagens elevadas pode levar a estatal a descumprir em 2026 sua política de preços, segundo analistas do Itaú BBA. “Nesse cenário, a companhia precisaria fazer aumentos adicionais de preço”, escreveram eles no início da semana.

Procurada, a Petrobras não respondeu ao pedido de entrevista. A empresa costuma dizer que acompanha o mercado internacional e só decide por reajustes quando as cotações internacionais se consolidam em novos patamares. Ela não mexe no preço do produto em suas refinarias desde 17 de setembro, quando promoveu aumento de R$ 1 por litro.

O governo garante R$ 2,12 por litro ao diesel nacional, R$ 3,52 por litro ao diesel importado e R$ 0,89 por litro à gasolina em forma de isenção de impostos federais. Até agosto, o governo calculava ter gasto R$ 32 bilhões com as medidas de contenção de preços.

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