Esforço fiscal para estabilizar dívida pública pode alcançar 4% do PIB, avalia UBS

Agência Senado)

Relatório do UBS aponta necessidade elevada de superávits primários para conter o crescimento da dívida brasileira em cenário de juros altos

UBS aponta esforço fiscal entre 2,2% e 4% do PIB para estabilizar dívida diante de juros altos e crescimento econômico moderado no Brasil.

Esforço fiscal para estabilizar dívida pública é tema central do relatório UBS

O esforço fiscal para estabilizar a dívida pública no Brasil pode chegar a 4% do PIB, conforme aponta o relatório do UBS Global Wealth Management divulgado recentemente. Considerando um cenário de juros reais estruturalmente altos e crescimento econômico potencial relativamente modesto, a análise ressalta que o próximo governo brasileiro, que assumirá em 2027, terá a tarefa de implementar políticas capazes de gerar superávits primários persistentes para conter a trajetória da dívida pública. A diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS, Solange Srour, lidera o estudo que fundamenta essas conclusões.

Cenário econômico e fiscal brasileiro diante dos juros e do crescimento

Segundo as simulações apresentadas, o esforço fiscal varia conforme a taxa de juros nominais: com juros a 10%, o esforço estimado é de 2,2% do PIB, enquanto que com uma Selic a 13%, o indicador sobe para 4%. Em um cenário intermediário de juros nominais em torno de 12%, o superávit primário estabilizador se aproxima de 3,4% do PIB. O ponto de partida adotado para essas projeções é uma dívida bruta equivalente a aproximadamente 79% do PIB no final de 2025, evidenciando o desafio fiscal estrutural enfrentado, onde pequenas deteriorações podem desencadear dinâmicas desfavoráveis da dívida.

Importância da percepção de sustentabilidade fiscal e seus impactos na dívida

O relatório enfatiza a relevância da percepção do mercado sobre a sustentabilidade fiscal na definição das taxas reais de juros de longo prazo no Brasil. Em economias emergentes, como a brasileira, essa taxa reflete fatores globais, avaliação de risco institucional, expectativas inflacionárias e incertezas sobre a trajetória futura da dívida pública. A NTN-B de 10 anos é destacada como um importante termômetro da credibilidade fiscal e do prêmio de risco soberano, respondendo mais a mudanças percebidas como permanentes na dinâmica fiscal do que a ajustes pontuais.

Eventos recentes e a reação do mercado à política fiscal brasileira

O UBS revisita episódios recentes para ilustrar como a percepção do mercado fiscal evoluiu. A aprovação da PEC do Teto, a eleição presidencial de 2018 e as reformas promovidas naquele período foram interpretadas como sinais de mudança duradoura na trajetória fiscal, resultando em melhora na percepção de risco. Em contrapartida, o período pós-pandemia foi marcado por maior volatilidade institucional e incertezas, dificultando a identificação de efeitos fiscais individuais sobre as taxas de juros reais longas.

Desafios e perspectivas para a política fiscal do próximo governo

Para replicar um movimento de melhora na credibilidade fiscal semelhante ao ocorrido entre 2016 e 2019, o UBS destaca a necessidade de alterar significativamente a trajetória esperada da dívida pública. Isso implica não apenas em ajustes fiscais imediatos, mas em mudanças estruturais que transmitam confiança ao mercado no longo prazo. Assim, a taxa real longa incorpora fundamentos macroeconômicos atuais e um prêmio associado à percepção de risco fiscal, volatilidade institucional e incerteza sobre o futuro da dívida pública brasileira.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Agência Senado)

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