Especialistas apontam crise de representação como causa de 21% de abstenção no primeiro turno

Brasil registrou 33,4 milhões de eleitores ausentes nas urnas. Percentual de indecisos dobrou para 14% em uma semana, segundo pesquisa Quaest.

Especialistas apontam crise de representação como causa de 21% de abstenção no primeiro turno
Urna eletrônica. Foto: Nelson Jr./ASICS/TSE — Foto: Urna eletrônica  • 25 de abril de 2007 – Nelson Jr./ASICS/TSE

O Brasil registrou o maior nível de abstenção desde 1998 no primeiro turno das eleições, com 21% do eleitorado não comparecendo às urnas.

O Brasil registrou o maior nível de abstenção desde 1998 no primeiro turno das eleições, com 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas, o equivalente a 21% dos cerca de 158,7 milhões de votantes aptos em 2026.

Candidatos à Presidência da República veem esses eleitores como possibilidade de votos válidos para o segundo turno. A abstenção pode impulsionar uma vitória menos apertada para Flávio Bolsonaro (PL) ou significar uma virada para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As motivações para ausência variam entre razões de força maior, como imprevistos de saúde e de trabalho, assim como a ausência no domicílio eleitoral no dia da votação, ou ainda uma forma de protesto e desânimo com os candidatos participantes.

O cientista político e mestre em economia Renato Dolci aponta a necessidade de separar votantes aptos dos que não compareceram por outros motivos. Segundo ele, o motivo mais plausível para as faltas é uma crise de representação.

“O eleitor pode acompanhar o debate público, ter demandas concretas e, ainda assim, não acreditar que algum candidato represente uma possibilidade de mudança. Nesse caso, a ausência deixa de ser apenas uma questão de desinteresse e passa a expressar um distanciamento entre a sociedade e o sistema político.”

Murilo Medeiros, cientista social da UnB (Universidade de Brasília), identifica motivação similar. A abstenção funciona como “sintoma do distanciamento entre a política e a sociedade”. Ele destaca que muitos eleitores podem perder a perspectiva de que seu voto cause mudanças concretas no país devido ao cenário atual.

“A polarização persistente, os elevados índices de rejeição dos candidatos, somados à percepção de que o voto já não é capaz de produzir mudanças concretas, contribuem para afastar o eleitorado das urnas.”

Os especialistas apontam que os 21% de abstenções não constituem o único público no qual os candidatos devem focar para alcançar votos. A atenção também recai sobre a fatia de indecisos. Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), o percentual de pessoas que não decidiram seu voto dobrou de 7% para 14% em uma semana.

Para Dolci, além de apostar na narrativa de medo do adversário pelo eleitor, é importante apresentar propostas concretas capazes de transformar a vida do eleitor indeciso que está fora da polarização. Medeiros também aponta a importância de estratégias que alcancem esse segmento.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress