Codesul e BRDE analisarão proposta federal e proporão modelos que atendam mais às demandas regionais

Governos do PR, SC, RS e MS acionaram Codesul e BRDE para analisar alternativas ao modelo federal de concessão da Malha Sul em setembro
Os governos dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul contrataram estudo técnico próprio para avaliar alternativas à concessão da Malha Sul. O trabalho, encomendado no meio de setembro, será conduzido pelo Codesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração do Sul) e pelo BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul).
A iniciativa ocorre em reação à resistência dos estados ao modelo apresentado pela Infra S.A., que divide a ferrovia em Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Mercosul e Corredor Rio Grande. Segundo os governos regionais, o projeto não contempla trechos que poderiam ter demanda associada a projetos previstos para a região.
O estudo analisará a demanda potencial da ferrovia a partir da matriz produtiva completa dos estados, incluindo segmentos não contemplados na proposta federal por não contarem atualmente com oferta do modal ferroviário. Também será avaliada a estrutura financeira da futura concessão, com diferentes mecanismos de financiamento e possibilidade de participação dos estados.
O trabalho examinará ainda cenários para racionalização da malha, com possibilidade de concessão integrada e modelos alternativos. Aspectos regulatórios e jurídicos da concessão também serão analisados, segundo informações dos governos estaduais.
A contratação do estudo ocorre após o Codesul formalizar, em maio, contestação ao Ministério dos Transportes sobre o projeto. O ofício foi enviado ao ministro George Santoro e assinado pelos governadores Ratinho Junior (PSD-PR), que preside o conselho, Jorginho Mello (PSD-SC), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Eduardo Riedel (PSDB-MS), além de representantes dos setores produtivo e empresarial dos quatro estados.
Na ocasião, os governos estaduais apontaram falta de diálogo na construção do projeto e avaliaram que o formato dos futuros certames não atendia às necessidades de recuperação do transporte ferroviário na região. Entre as críticas estava a possibilidade de fragmentação da malha.
Os estados esperam que o estudo funcione como análise complementar à proposta federal, preenchendo lacunas identificadas pelos governos regionais e oferecendo sustentação técnica a reivindicações que não foram incorporadas ao modelo apresentado pela União.



