Estados Unidos ampliam produção mas mantêm dependência crítica de terras raras

David Becker

Crescimento na extração de terras raras não reduz vulnerabilidade americana diante da concentração global da cadeia produtiva

Os Estados Unidos aumentaram a extração de terras raras em 2025, mas dependem criticamente de importações para processamento e aplicações industriais.

Expansão da produção americana de terras raras em 2025

Em 2025, a dependência de terras raras dos Estados Unidos permanece um tema crítico, apesar da ampliação da produção doméstica. Segundo dados oficiais, o país extraiu cerca de 51 mil toneladas de óxidos de terras raras (REO), um aumento consistente frente aos 45,5 mil toneladas de 2024 e às aproximadamente 42 mil toneladas registradas entre 2021 e 2022. A mina de Mountain Pass, na Califórnia, é o principal polo dessa produção, refletindo uma política governamental focada na recuperação da capacidade mineral interna.

Descompasso entre extração e processamento industrial de terras raras nos EUA

Apesar do crescimento na extração, o consumo americano em compostos e metais de terras raras atinge cerca de 27 mil toneladas, enquanto a produção nacional dessas formas processadas é limitada a 8,9 mil toneladas. Isso evidencia um gargalo industrial que leva a uma dependência líquida de importações próxima de 67%. Dois terços do consumo dependem, portanto, de cadeias produtivas externas, um fator que ressalta a fragilidade da autonomia estratégica dos EUA nesse setor.

Concentração global e riscos geopolíticos associados à cadeia de terras raras

O problema da dependência americana não é apenas quantitativo, mas estrutural. De 2021 a 2024, aproximadamente 71% dos compostos e metais importados vieram da China, incluindo Hong Kong, com outros fornecedores secundários como Malásia, Japão e Estônia. Além disso, fluxos intermediários dependem significativamente de insumos chineses, ampliando a exposição dos EUA a riscos geopolíticos. Em 2025, a China reforçou controles sobre exportação de elementos estratégicos como disprósio e térbio, tornando as terras raras instrumentos de política industrial e externa.

Vulnerabilidade nas terras raras pesadas e sua importância estratégica

O segmento das terras raras pesadas representa o ponto mais sensível da cadeia. Elementos como disprósio e térbio são fundamentais para ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas militares avançados. Em 2025, os EUA mantêm dependência total (100%) de importações para esses elementos, com a China dominando a oferta, reforçando a vulnerabilidade do país frente a possíveis restrições comerciais.

Estratégias americanas para ampliar autonomia na cadeia de terras raras

Diante desse cenário, os Estados Unidos adotam uma estratégia dupla: expandir a mineração doméstica enquanto buscam diversificar fornecedores internacionais. A Austrália é parceira estratégica relevante, com reservas de 6,3 milhões de toneladas e processamento mais consolidado fora da China. O Brasil, com cerca de 21 milhões de toneladas em reservas, representa uma alternativa em médio prazo, apesar das limitações industriais atuais. Canadá, Vietnã e países africanos compõem o mapa de potenciais fornecedores para reduzir a dependência chinesa.

Desafios para a autonomia estratégica e perspectivas futuras

Embora os Estados Unidos não enfrentem escassez mineral significativa, o desafio estrutural reside na capacidade industrial. A lacuna entre a extração e o processamento – incluindo refino, separação e produção de ímãs – impede a completa autonomia estratégica. Sem avanços equivalentes nessas etapas, a dependência externa e a volatilidade geopolítica permanecerão elevadas, impactando setores cruciais da economia e da defesa nacional.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: David Becker

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