Aliados aconselham candidato do PL a adotar postura mais propositiva e deixar Lula atacar antes da votação

Aliados de Flávio Bolsonaro orientam candidato do PL a reduzir tom agressivo no debate de sexta-feira na TV Globo
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, tem sido orientado por aliados a reduzir o tom agressivo no debate da TV Globo na próxima sexta-feira (23). Segundo assessores consultados, o candidato precisa ser “menos Pablo Marçal” e não pode “perder a linha” no último confronto antes da votação.
A preocupação ganhou força após o debate do último domingo, na Band. Flávio começou o confronto cumprimentando Lula, mas adotou tom de ataque e deboche que desagradou aliados. Segundo análises qualitativas citadas por integrantes da campanha, a postura incomodou eleitores que esperavam a versão de um Bolsonaro moderado, apresentada ao longo da disputa.
Há também o receio de que Flávio transmita imagem de arrogância ou passe a impressão de que já considera a eleição vencida. A avaliação é que, a dois dias de os brasileiros irem às urnas, o senador não pode correr o risco de aumentar sua rejeição entre indecisos ou desagradar eleitores que já declaram voto nele, mas ainda sem convicção.
O conselho é que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que saiu atrás no primeiro turno, adotar postura mais agressiva na tentativa de enfraquecer o adversário. A estratégia da campanha petista tem explorado o comportamento de Flávio para questionar sua postura como candidato à Presidência, enquanto Lula busca se apresentar como político experiente e preparado para exercer o cargo.
Para o debate da Globo, a orientação é que Flávio adote postura mais propositiva, rebata acusações de que pretende cortar programas sociais como o Bolsa Família e volte a insistir no discurso de mudança, apresentando propostas para o custo de vida e a segurança pública. Isso não significa, porém, abandonar os ataques a Lula.
O senador deve continuar explorando denúncias envolvendo o filho do presidente, conhecido como Lulinha, e resgatar escândalos de corrupção de governos petistas, como o mensalão e a Lava Jato. Flávio também é aconselhado a se preparar para cobranças sobre a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, tema que Lula transformou em uma das principais armas contra o adversário nesta reta final da campanha.



