Confirmação da doença em granja de perus levou MBRF a cair 4,11% e papéis da JBS a recuarem 1% em Nova York

Confirmação de foco da doença de Newcastle em granja de perus em Santa Catarina atingiu as ações dos frigoríficos brasileiros e elevou preocupação com exportações de aves.
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina atingiu as ações dos grandes frigoríficos brasileiros e elevou a preocupação com as exportações de aves.
A MBRF, fornecedora de marcas como Sadia e Perdigão, caiu 4,11% em 19 de outubro, para R$ 18,29. Os papéis da JBS negociados em Nova York recuaram 1%, para US$ 12,90.
A reação foi mais intensa na MBRF porque o foco sanitário foi identificado em um fornecedor exclusivo da companhia, segundo informações obtidas pela Bloomberg News. O produtor de perus abastece a unidade da empresa em Chapecó (SC), voltada à produção de aves para exportação.
A ligação direta com o fornecedor aumenta a exposição da MBRF ao episódio, mas não significa que toda a produção da companhia esteja comprometida. O impacto dependerá das medidas sanitárias aplicadas à operação e, principalmente, da abrangência das restrições impostas pelos compradores internacionais.
Apesar da reação negativa das ações, o JPMorgan avalia que os efeitos financeiros sobre as duas companhias tendem a ser limitados e temporários, possivelmente menores que os observados no episódio de 2024. Na ocasião anterior, as restrições comerciais provocaram uma queda de aproximadamente 100 mil toneladas nas exportações brasileiras de carne de frango durante o período de embargos, equivalente a cerca de 25% dos embarques mensais. Segundo o banco, os volumes se recuperaram após a retirada das restrições, sem impacto no Ebitda de JBS e MBRF.
O JPMorgan estima que Santa Catarina represente entre 10% e 20% das exportações de frango da MBRF e da Seara, operação de aves da JBS. Se as restrições ficarem concentradas em áreas específicas, a exposição será menor do que em um embargo nacional.
A principal incerteza para as empresas está na reação dos compradores internacionais, especialmente da China. De janeiro a setembro de 2026, o país importou cerca de 420 mil toneladas de carne de frango brasileira, aproximadamente 10% das exportações nacionais no período.



