Ministério da Agricultura negocia aumento de 10% nos recursos e taxa de juros em um dígito com Fazenda

Governo articula aumentos nos recursos do Plano Safra 2026/27 e busca reduzir taxas de juros para o setor agrícola empresarial.
Plano Safra 2026/27 pode chegar a R$ 570 bilhões com novo aumento
O Plano Safra 2026/27 pode receber um incremento de até 10% em relação ao ciclo anterior, conforme negociações em curso entre os ministérios da Agricultura e da Fazenda. Se aprovada, a proposta elevaria o volume destinado à agricultura empresarial próximo à marca de R$ 570 bilhões, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (17 de junho) por autoridades da pasta.
O secretário-executivo da Agricultura afirmou que, mesmo se o percentual de 10% não for viável, um incremento relativo à inflação atual—estimada em pouco mais de 4%—ainda representaria um ganho expressivo para o setor, considerando o cenário macroeconômico doméstico e internacional.
Taxas de juros em um dígito é meta da negociação
A redução das taxas de juros é outro ponto central nas discussões. O governo defende que a taxa máxima do Plano Safra 2026/27 fique em um dígito, utilizando o programa Move Agro como referência. Esse programa disponibiliza R$ 14 bilhões para compra de equipamentos e máquinas com taxa pouco superior a 9% ao ano.
No ciclo anterior, a menor taxa de juros do plano empresarial ficou em torno de 8%, com possibilidade de desconto na linha de agropecuária sustentável, enquanto a maior atingiu 13,5% no Moderfrota. Uma redução média de 2 pontos percentuais em relação ao ciclo anterior colocaria o setor em uma faixa de 6,5% a 11%, o que seria considerado um ganho significativo.
Renegociação de dívidas agrícolas soma R$ 140 bilhões
Paralelamente, o governo desenvolve o projeto de lei 5.122, focado na renegociação de dívidas agrícolas. A iniciativa busca evitar que produtores com restrições de crédito fiquem impedidos de acessar novos financiamentos.
O valor inicialmente estimado para essa renegociação é de R$ 140 bilhões. O Ministério da Fazenda encontra-se em negociações com a Frente Parlamentar para encontrar uma fórmula viável que contemple tanto os interesses dos produtores quanto a sustentabilidade fiscal.
Cenário macroeconômico complexo exige equilíbrio
Autoridades reconhecem que “o jogo não é fácil”, como afirmou o secretário-executivo durante evento em São Paulo. As negociações ocorrem em um ambiente de desafios econômicos que impõem restrições orçamentárias ao governo.
A equação passa por renegociar as dívidas existentes sem comprometer a capacidade de novos investimentos. Essa abordagem busca manter o setor agrícola competitivo e acessível a produtores de diferentes portes, especialmente aqueles que acumularam passivos de exercícios anteriores.
Agricultura empresarial versus familiar: programas distintos
É importante notar que as negociações mencionadas referem-se especificamente à agricultura empresarial. A agricultura familiar possui seu próprio plano de crédito, conduzido por outro ministério, com estrutura e objetivos diferenciados.
Essa divisão reflete estratégias distintas de apoio ao setor agrícola, reconhecendo as diferentes necessidades e capacidades de produtores empresariais e familiares. Os recursos, taxas e linhas de crédito são adequados a cada segmento, mesmo que ambos busquem aumentos em seus respectivos orçamentos.
Próximos passos e expectativas
As negociações devem prosseguir nos próximos meses, com conclusão esperada antes do início do novo ciclo de safra. O resultado final dependerá do equilíbrio entre as demandas do setor agrícola e as restrições orçamentárias do governo central.
A aprovação dos aumentos propostos sinalizaria compromisso com um dos principais motores da economia brasileira, enquanto a renegociação das dívidas poderia aliviar pressões sobre produtores endividados e facilitar o acesso a novos créditos.





