IGP-10 cai 0,30% em junho com deflação nos preços

Preços em supermercado de Washington, nos EUA (Reuters/Sarah Silbiger)

Índice geral de preços registra queda inesperada puxada por redução nas cotações ao produtor, frustrando projeções de mercado

IGP-10 cai 0,30% em junho com deflação nos preços
Preços em supermercado de Washington, nos EUA. Foto: Reuters/Sarah Silbiger — Foto: Preços em supermercado de Washington, nos EUA (Reuters/Sarah Silbiger)

Índice geral de preços-10 cai 0,30% em junho, contrariando estimativas de alta de 0,34%, com deflação predominante no segmento de produtor

Deflação surpreende mercado com queda inesperada no IGP-10 de junho

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) divulgado pela Fundação Getulio Vargas em junho apresentou contração de 0,30%, frustrando amplamente as expectativas do mercado financeiro que projetava alta de 0,34%. Esse movimento deflacionário marca uma reversão significativa em relação ao avanço de 0,89% registrado em maio, evidenciando mudanças estruturais nas dinâmicas de preços da economia.

A deterioração do índice geral de preços-10 foi capitaneada fundamentalmente pela queda nos preços ao produtor, segmento que responde por 60% da composição total do indicador. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) recuou 0,71% durante o mês, após ter avançado 0,95% na leitura anterior, sinalizando pressão deflacionária pronunciada no atacado.

Commodities refletem acomodação nos mercados internacionais

Segundo análise de economistas, a queda nos preços ao produtor reflete principalmente normalização nas cotações de commodities relevantes para a pauta exportadora brasileira. Café, cana-de-açúcar e combustíveis apresentaram recuos expressivos, acomodando-se após períodos de elevação anterior.

Essa dinâmica alinhou-se com a recuperação de oferta em mercados internacionais, que vinha pressionando as cotações. Contudo, esse cenário não foi uniforme em todos os segmentos agrícolas. Alguns produtos enfrentaram pressões de alta pontuais, como batata-inglesa e feijão, cujos movimentos foram associados a fatores sazonais de restrição de oferta.

Consumidor absorve parte da pressão com alta moderada

No segmento de preços ao consumidor, que constitui 30% da composição do índice geral, houve alta de 0,56% em junho, representando desaceleração em relação aos 0,68% de maio. Essa moderação refletiu especialmente a queda em combustíveis no varejo, contrapondo parcialmente os aumentos observados em alimentos in natura e nas tarifas de energia elétrica.

A trajetória do IPC-10 revela dinâmica dupla: enquanto commodities agrícolas e energéticas cediam pressão, alimentos frescos e serviços essenciais mantinham pressões inflacionárias localizadas. Esse padrão sugere inflação ainda fragmentada entre setores.

Construção mantém ritmo de elevação de custos

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) subiu 0,92% em junho, ligeiramente acima dos 0,86% de maio. A manutenção dessa trajetória de alta indica que o setor construtivo continua enfrentando pressões em insumos e mão-de-obra, descolando-se da deflação observada em outros segmentos da economia.

Esse movimento isolado no INCC-10 evidencia heterogeneidade na formação de preços, com construção civil respondendo a dinâmicas próprias de oferta e demanda, menos sensível às oscilações de commodities que afetam produtor e consumidor.

Acumulado anual mantém moderação

Apesar da queda mensal, o IGP-10 acumula avanço de 2,15% quando comparado ao mesmo período de doze meses atrás. Essa taxa acumulada revela que as pressões inflacionárias, embora moderadas, persistem quando observadas em perspectiva mais ampla. O resultado de junho contribui para manter a inflação de preços em geral em trajetória controlada.

O índice é calculado através de survey de preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência, capturando uma amostra representativa de movimentos de preços na economia brasileira.

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