Inflação dos eua em abril apresenta queda mensal, mas pressões se espalham pela economia

REUTERS/Jim Vondruska

Apesar da desaceleração da inflação em abril nos EUA, especialistas identificam disseminação das pressões inflacionárias em diversos setores

A inflação dos EUA em abril recuou frente a março, mas pressões inflacionárias mostram maior disseminação, alertam especialistas.

Inflação dos EUA em abril mostra queda mensal, mas pressões se disseminam

A inflação dos EUA em abril registrou uma alta de 0,6%, abaixo dos 0,9% de março, evidenciando um recuo no ritmo de aumento dos preços ao consumidor. Contudo, especialistas apontam que a inflação dos EUA em abril revela um fenômeno preocupante: a disseminação das pressões inflacionárias em setores além do impacto energético imediato, principalmente devido ao choque causado pela guerra no Oriente Médio. Isadora Junqueira, economista da AZ Quest, destaca que o choque nos preços de energia tem potencial para afetar a cadeia de alimentação, especialmente por conta da alta nos custos de fertilizantes e energia em setores sensíveis.

Impactos do choque energético na inflação anualizada e no núcleo dos preços

A taxa anualizada da inflação atingiu 3,8%, o maior patamar desde 2023, impulsionada principalmente pelo setor de energia, que cresceu 3,8% no mês, com a gasolina subindo 28,4% no ano. Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, observa que, embora a energia tenha sido o principal vetor da alta, outros segmentos como habitação e vestuário apresentaram avanços mais moderados, com a habitação crescendo 0,6%. André Valério, economista sênior do Inter, chama atenção para a aceleração do núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia) de 0,2% para 0,4%, impulsionada por aumentos nos gastos com habitação vinculados ao fim de um efeito estatístico temporário.

Setor de serviços registra alta e pressiona inflação geral

Os serviços também mostraram surpresas altistas em abril, especialmente em segmentos como hotéis, aluguéis e serviços pessoais. Andressa Durão, economista do ASA, aponta que o “supercore” de serviços, que exclui os preços de aluguel, superou expectativas, sinalizando uma inflação interna pressionada e persistente. Este cenário reforça a ideia de que a inflação dos EUA em abril está se espalhando para além dos choques iniciais de energia, afetando categorias sensíveis e dificultando o controle dos preços.

Implicações para a política monetária do Federal Reserve

Apesar do aumento disseminado da inflação, os especialistas consultados acreditam que os dados de abril não deverão alterar a estratégia atual do Federal Reserve, que tem mantido uma postura cautelosa e decidido preservar as taxas de juros. Segundo André Valério, será necessária a análise de mais dados para entender a durabilidade e o repasse desses choques para a economia em geral. A expectativa é que o Fed mantenha os juros estáveis, monitorando os impactos antes de promover cortes, que, segundo ele, só ocorreriam se houvesse piora no mercado de trabalho — o que não tem sido observado.

Cenário econômico e perspectivas futuras para a inflação americana

Nickolas Lobo destaca que o processo de desinflação iniciado em 2022 enfrenta desafios externos contínuos, o que pode levar a um adiamento na redução das taxas de juros pelo Fed. A disseminação da inflação em serviços e bens sensíveis a tarifas exige condições monetárias restritivas por mais tempo para garantir o retorno da inflação à meta de longo prazo. Andressa Durão reforça que o impacto da guerra no Oriente Médio permanece como um fator central na inflação cheia, com riscos de alta ainda mais elevados para a política monetária. Por sua vez, Isadora Junqueira ressalta que, apesar da pressão crescente, o cenário ainda sustenta a manutenção das taxas de juros, sem expectativa de elevação imediata.

A inflação dos EUA em abril exemplifica um momento de transição, em que o choque energético deixa de ser o único motor dos preços, dando lugar a uma dispersão mais ampla das pressões inflacionárias, sobretudo no setor de serviços e habitação. Este contexto mantém o Federal Reserve em alerta, adotando uma postura conservadora para garantir estabilidade econômica diante de incertezas globais e domésticas.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/Jim Vondruska

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